PF desarticula esquema de desmatamento ilegal em Terra Indígena de Rondônia
PF combate desmatamento ilegal em Terra Indígena de RO

PF desarticula esquema milionário de desmatamento ilegal em Terra Indígena de Rondônia

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira, 24 de setembro, a Operação Erisícton, com o objetivo de desarticular uma rede criminosa especializada em desmatamento e comércio ilegal de madeira na Terra Indígena Roosevelt, localizada no município de Ji-Paraná, em Rondônia. Segundo as investigações, os danos ambientais provocados por essa ação ilegal ultrapassam a impressionante cifra de R$ 41 milhões, evidenciando a gravidade do crime contra o patrimônio natural brasileiro.

Esquema estruturado e envolvimento de indígenas

As investigações tiveram início em fevereiro de 2024, após a prisão em flagrante de um indivíduo que atuava como "batedor" para um caminhão carregado com madeira de origem ilegal. A partir desse episódio, análises aprofundadas na região revelaram a existência de um esquema estruturado de extração ilegal dentro da área protegida, que conta com a participação ativa de indígenas residentes na terra, situada na divisa entre Rondônia e Mato Grosso.

De acordo com a PF, o suspeito principal agia com o consentimento e a colaboração de membros da comunidade indígena, facilitando o acesso e a exploração dos recursos naturais. A rede criminosa envolvia uma cadeia complexa, incluindo desmatadores responsáveis pela derrubada das árvores, motoristas encarregados do transporte das cargas e proprietários de madeireiras que adquiriam a madeira retirada ilegalmente, perpetuando um ciclo de devastação ambiental.

Resultados da operação e apreensões

Durante a execução da operação, duas pessoas foram presas em flagrante: uma por posse ilegal de arma de fogo e outra por receptação qualificada. Além das prisões, foram apreendidos diversos itens, como celulares, armas, veículos e uma quantidade significativa de madeira extraída de forma clandestina. Até o momento, uma madeireira foi embargada pelo Ibama, mas novas medidas punitivas podem ser implementadas, uma vez que a ação policial ainda está em andamento.

Os prejuízos ambientais estimados pela PF chegam a R$ 41.936.681,29, um valor que reflete não apenas a perda de biodiversidade, mas também os impactos sociais e econômicos para as comunidades indígenas afetadas. A operação foi realizada em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e contou com o apoio fundamental da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Colaboração interinstitucional e esforços conjuntos

Ao todo, participaram da operação 108 servidores federais, incluindo policiais federais e equipes técnicas do Ibama e da Funai, demonstrando um esforço coordenado para combater crimes ambientais de grande escala. Essa colaboração interinstitucional é crucial para garantir a proteção efetiva das terras indígenas e a preservação dos ecossistemas brasileiros, que enfrentam constantes ameaças de atividades ilegais.

A Operação Erisícton representa um marco na luta contra o desmatamento ilegal, destacando a importância da vigilância constante e da aplicação rigorosa da lei em áreas protegidas. As autoridades continuam monitorando a situação e podem expandir as investigações para identificar outros envolvidos nesse esquema criminoso, reforçando o compromisso com a justiça ambiental e os direitos dos povos indígenas.