Uma intensa onda de frio, acompanhada de neve, gelo e chuvas fortes, castiga a Europa nesta primeira semana de 2026, resultando em um cenário de tragédia e transtornos. Até o momento, o fenômeno climático extremo já é responsável por seis mortes confirmadas em diferentes países e provocou um verdadeiro caos nos sistemas de transporte aéreo e ferroviário do continente.
Vítimas fatais em acidentes relacionados ao frio
A França aparece como o país mais afetado em termos de fatalidades. As autoridades francesas confirmaram que três pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas em uma série de acidentes ocorridos na última terça-feira, 6 de janeiro, em uma estrada da região de Landes, no sudoeste do país. Os acidentes estão diretamente relacionados às condições perigosas das vias, cobertas de gelo e neve.
Na região de Paris, outras duas mortes foram registradas. Na noite de segunda-feira, 5 de janeiro, um motorista caiu com seu veículo no rio Marne. Apesar de ter sido resgatado com vida, ele não resistiu e faleceu após ser levado a um hospital. Já na zona leste da capital francesa, uma colisão entre um automóvel e um caminhão, também atribuída às condições climáticas adversas, resultou em mais uma morte.
Fora da França, na Bósnia, uma mulher morreu na cidade de Sarajevo após ser atingida por um galho de árvore que cedeu sob o peso da neve acumulada.
Caos nos transportes aéreo e ferroviário
Além das tragédias pessoais, a onda de frio paralisou boa parte da mobilidade europeia. O setor aéreo foi um dos mais impactados. Na manhã de quarta-feira, 7 de janeiro, as companhias aéreas que operam nos dois principais aeroportos de Paris foram forçadas a cancelar uma parte significativa de seus voos. No Aeroporto Roissy–Charles de Gaulle, cerca de 40% das operações foram suspensas, enquanto em Orly o índice de cancelamentos chegou a 25%.
As equipes de solo trabalham incessantemente na limpeza das pistas e no descongelamento das aeronaves, mas a situação permanece crítica. A Holanda também enfrenta problemas severos: centenas de voos foram cancelados no movimentado aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, devido ao acúmulo excessivo de neve e ao congelamento das aeronaves.
O transporte sobre trilhos não ficou imune ao caos. Serviços ferroviários tiveram que ser suspensos na manhã de terça-feira em várias regiões, deixando milhares de passageiros em situação difícil.
Temperaturas extremas e alertas em outros países
A queda brusca de temperatura afetou praticamente todo o continente. No sul e leste da Alemanha, os termômetros registraram marcas inferiores a -10 °C. Os meteorologistas alemães já emitiram alertas para fortes nevascas que devem atingir o norte e o leste do país ainda nesta sexta-feira, 9 de janeiro.
O Reino Unido viveu uma madrugada particularmente gélida, com a temperatura caindo para impressionantes -12,5 °C. A formação de gelo nas estradas e ferrovias levou à interrupção de viagens de carro, trem e avião, ampliando o cenário de isolamento e transtornos.
Enquanto o norte da Europa congela, o sul enfrenta problemas com excesso de água. Na Itália, fortes chuvas fizeram o rio Tibre, que corta Roma, transbordar. A prefeitura da capital italiana decretou restrições ao acesso a praças, parques e outras áreas consideradas de risco, devido à possibilidade de deslizamentos, quedas de árvores e alagamentos. Dois grandes pinheiros já tombaram nos últimos dias por causa da saturação do solo.
A situação na Europa serve como um alerta para os efeitos severos de eventos climáticos extremos, que, além de ceifar vidas, têm o poder de desorganizar a infraestrutura de transporte de nações inteiras, com impactos econômicos e sociais que ainda estão sendo calculados.