Presidente da COP 30 exige celeridade global contra aquecimento climático
Em uma carta divulgada nesta terça-feira (27), o presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, fez um apelo urgente por mais rapidez aos países no combate ao aquecimento do planeta. Esta é a 12ª carta emitida pelo diplomata e a primeira do ano de 2026, marcando um momento crítico nas discussões ambientais internacionais.
Alerta sobre avanços insuficientes
Na missiva, Corrêa do Lago reconheceu que a conferência realizada em novembro, em Belém, alcançou avanços diplomáticos significativos. No entanto, ele destacou que esses progressos ficaram aquém das expectativas de cientistas do clima e de comunidades que já enfrentam os impactos diretos das mudanças climáticas.
O embaixador lembrou que, nos últimos três anos, o aumento da temperatura média da Terra tem ultrapassado consistentemente o limite de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris. Esse fenômeno tem gerado efeitos devastadores em escala global, desde eventos climáticos extremos até a perda de biodiversidade.
Chamado por negociações mais ágeis
Corrêa do Lago afirmou que as negociações sobre o clima precisam se tornar mais ágeis e eficientes. Ele enfatizou: "O multilateralismo precisa ganhar a velocidade necessária para acompanhar o aquecimento global, sem comprometer a tomada de decisões por consenso".
As cartas da presidência brasileira da COP são utilizadas como uma estratégia fundamental para orientar e mobilizar os debates sobre o meio ambiente. André Corrêa do Lago permanecerá na presidência da COP até novembro, quando a COP 31 terá início na Turquia.
Diretrizes para os próximos meses
Até lá, o embaixador tem como objetivo estabelecer, com a colaboração de outros países, diretrizes concretas para a redução do uso de combustíveis fósseis – como petróleo e carvão – e do desmatamento. Ele explicou: "O Brasil vai levar isso ao longo de 2026 desenvolvendo o mapa do caminho sobre a decisão de Dubai, que é do afastamento progressivo dos combustíveis fósseis".
Além disso, Corrêa do Lago mencionou que, em Dubai, houve um consenso sobre a necessidade de parar e reverter o desmatamento até 2030. No entanto, ele observou que essa questão não evoluiu adequadamente nas discussões formais. Aproveitando os dez meses restantes de sua presidência, ele planeja apresentar um mapa do caminho detalhado para o fim do desmatamento.
Essa iniciativa busca acelerar as ações práticas e garantir que os compromissos internacionais se traduzam em resultados tangíveis para a preservação do planeta.