Chaminés de Fada em Goiás Despertam Interesse Científico e Preparam-se para Visitação Controlada
As chaminés de fada, formações geológicas raras identificadas no nordeste de Goiás, continuam a atrair a atenção de pesquisadores, embora ainda não estejam abertas à visitação pública. Especialistas já definiram os planos para o acesso futuro, estabelecendo quais áreas poderão receber visitantes e quais permanecerão protegidas para garantir a conservação dessas estruturas inéditas no Brasil.
Localização e Características Únicas
Localizadas em uma propriedade particular no município de Campos Belos, as chaminés de fada são consideradas excepcionais pelo tamanho, quantidade e estado de conservação. A equipe responsável, liderada pela geóloga Joana Paula Sánchez, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), está trabalhando no ordenamento da área para torná-la visitável sem comprometer a preservação. A área está sendo delimitada com cordas para indicar o trajeto permitido aos visitantes, e o público não poderá tocar nas formações, explicou Sánchez.
O processo atual envolve organização básica e estudos técnicos, incluindo a criação de uma trilha definida, barreiras físicas e estruturas simples, como banheiros na recepção. Será aberta uma área para contemplação, onde estão estruturas maiores e menos frágeis, enquanto trechos de difícil acesso e nunca tocados permanecerão fechados para manter a integridade das formações mais delicadas.
Estudos Acadêmicos e Ordenamento Turístico
Além da organização física, há um estudo acadêmico voltado especificamente para o ordenamento turístico. Uma aluna da UFG está desenvolvendo um mestrado em Geoturismo no Programa de Pós-Graduação em Geociências, com foco na estruturação da visitação. A pesquisa prevê a elaboração de um inventário turístico da região, algo que ainda não existe de forma sistematizada e deve auxiliar na organização prática da atividade.
Critérios Técnicos para Visitação Futura
As futuras visitações seguirão critérios técnicos rigorosos para áreas frágeis:
- Cada guia poderá conduzir no máximo seis pessoas por vez.
- O limite diário será de até 40 visitantes por dia.
- O acesso será feito inicialmente por trilha, sendo necessário veículo 4x4 em parte do trajeto.
- A área visitável será restrita às estruturas maiores, consideradas menos frágeis.
Segundo a pesquisadora, a limitação de visitantes não foi definida de forma aleatória, mas segue normas aplicadas a ambientes naturais sensíveis. A gente delimitou a área que pode ser percorrida. Não pode tocar nas formações. Só o fato de andar no leito seco do rio já modifica a paisagem. Então quanto menos pessoas, melhor para a conservação, destacou Sánchez.
Teste de Visitação e Preservação
Antes de liberar o agendamento ao público, a equipe fará um teste de visitação com moradores da região. A partir dos resultados, o número de visitantes poderá ser mantido, reduzido ou ampliado. As formações têm cerca de 300 anos na configuração atual e foram moldadas dentro do leito de um rio que já secou, o que significa que novas estruturas não estão mais sendo formadas no local. O que existe ali são resquícios do que foi formado no passado. Se destruir, não forma de novo, reforçou a geóloga.
A proposta não é fechar o acesso, mas educar para preservar. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade iniciou um processo para transformar a área em Monumento Natural (Mona), uma categoria de unidade de conservação que permite visitação controlada e desenvolvimento sustentável, ainda dependendo de trâmites legais e da concordância dos proprietários.
Detalhes sobre as Chaminés de Fada
As chaminés de fada foram identificadas oficialmente por pesquisadores da UFG em 2023. As estruturas chegam a até três metros de altura e estão concentradas em grande número em uma mesma área, algo considerado inédito no Brasil nesse porte. O local nunca foi utilizado para agricultura, turismo ou criação de gado, o que garantiu a preservação natural.
Formadas por erosão diferencial, onde a base mais frágil foi desgastada pela água ao longo do tempo, enquanto a parte superior, de rocha mais resistente, atuou como um chapéu protetor, as estruturas têm uma configuração que pode ter levado centenas de anos para se desenvolver. Com o rio já seco, a importância da preservação é ainda maior, pois não há formação de novas chaminés na região.



