Amazonas concentra terras indígenas mais pressionadas por desmatamento na Amazônia em 2025
Amazonas tem terras indígenas mais pressionadas por desmatamento

Um relatório alarmante divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) nesta semana expõe a gravidade da situação enfrentada pelas terras indígenas no estado do Amazonas. O estudo intitulado "Ameaça em Áreas Protegidas" revela que o Amazonas concentra oito das dez terras indígenas mais pressionadas pelo desmatamento na Amazônia em 2025, evidenciando uma crise ambiental e humanitária de proporções significativas.

As áreas mais impactadas

Segundo a pesquisa, essas oito terras indígenas estão total ou parcialmente localizadas no território amazonense e registraram desmatamento dentro de seus limites, comprometendo seriamente a biodiversidade e ameaçando diretamente os modos de vida das populações tradicionais que habitam essas regiões. O desmatamento não apenas destrói ecossistemas vitais, mas também coloca em risco a sobrevivência cultural e física dessas comunidades.

Ranking das terras indígenas mais pressionadas

As Terras Indígenas com maior pressão no Amazonas, conforme identificadas pelo relatório, são:

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  1. Andirá-Marau (AM/PA)
  2. Vale do Javari (AM)
  3. Waimiri Atroari (AM/RR)
  4. Yanomami (AM/RR)
  5. Kaxuyana-Tunayana (AM/PA)
  6. Trombetas/Mapuera (AM/PA/RR)
  7. Alto Rio Negro (AM)
  8. Nhamundá-Mapuera (AM/PA)

A recorrência desses territórios nos rankings de desmatamento reforça a necessidade urgente de políticas específicas para o estado, com foco especial na proteção territorial e no fortalecimento da participação ativa das comunidades locais nos processos decisórios.

Ameaças internas e no entorno

Além da ameaça interna representada pelo desmatamento dentro dos limites das terras indígenas, o relatório também destaca que áreas protegidas no Amazonas aparecem entre as mais ameaçadas pelo desmatamento em seu entorno imediato. O Parque Nacional Mapinguari (AM/RO) ocupa a segunda posição neste ranking preocupante, enquanto a Terra Indígena Kulina do Médio Juruá (AC/AM) está em terceiro lugar. A Terra Indígena Jacareúba/Katawixi (AM) também figura entre as dez mais ameaçadas pelo desmatamento nas áreas adjacentes.

Chamado à ação

Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon, enfatiza a urgência da situação: "É urgente integrar esforços institucionais e garantir que as comunidades estejam no centro das estratégias de proteção. A gestão compartilhada e a atuação coordenada são fundamentais para conter o avanço da perda florestal". Sua declaração ressalta a necessidade de uma abordagem colaborativa que envolva múltiplos atores na preservação desses territórios.

Bianca Santos, também pesquisadora do Imazon, complementa com um alerta sombrio: "Sem ações estruturadas e contínuas, a tendência é de que a ameaça se torne perda efetiva de floresta, comprometendo a integridade do meio ambiente e os direitos das populações tradicionais". Suas palavras destacam as consequências catastróficas da inação diante dessa crise ambiental em curso.

Contexto ampliado

Esta não é a primeira vez que o Amazonas aparece em destaque em relatórios sobre desmatamento. Estudos anteriores já haviam indicado que o estado concentra 18% das áreas sob risco de desmatamento na Amazônia previsto para 2026, além de ser o segundo estado que mais explora madeira na região amazônica. Dois municípios do Amazonas também lideraram o ranking de desmatamento da Amazônia em 2024, demonstrando um padrão preocupante que se mantém ao longo dos anos.

A situação é agravada por questões jurídicas, como o decreto que reduz reservas legais no Amazonas, considerado inconstitucional por especialistas, criando um ambiente de insegurança jurídica que pode facilitar ainda mais a degradação ambiental.

O relatório do Imazon serve como um alerta vermelho para autoridades, organizações não-governamentais e a sociedade civil sobre a necessidade imediata de ações concretas para proteger as terras indígenas e a floresta amazônica como um todo. A preservação desses territórios não é apenas uma questão ambiental, mas também uma obrigação moral com as populações tradicionais que dependem dessas florestas para sua sobrevivência física e cultural.

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