Protestos contra governo Rodrigo Paz na Bolívia terminam em confronto policial
Protestos na Bolívia contra governo Paz têm confronto policial

Milhares de manifestantes ocuparam as ruas de La Paz, capital política da Bolívia, nesta sexta-feira, 22, em uma marcha que terminou em confrontos com a polícia e ampliou a pressão sobre o presidente de centro-direita Rodrigo Paz, há seis meses no poder. Os protestos, que começaram impulsionados pela crise econômica e pela alta do custo de vida, ganharam novos contornos nos últimos dias e passaram a exigir a renúncia do mandatário.

Policiais antimotim usaram gás lacrimogêneo para impedir o avanço dos manifestantes em direção ao centro político da cidade. Houve lançamento de pedras, explosivos de baixa potência usados na mineração e ao menos três detenções. “Que renuncie!”, gritavam grupos de manifestantes que tomaram avenidas da capital vestindo capacetes de mineração, ponchos e carregando bandeiras indígenas.

Insatisfação popular crescente

A pressão sobre Rodrigo Paz se intensificou após semanas de bloqueios em estradas que isolaram partes do país e agravaram o desabastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos. “Seis meses de governo e ele não conseguiu resolver o básico, os preços da cesta básica. Temos que escolher entre comprar carne ou comprar leite”, afirmou à agência de notícias AFP Melina Apaza, de 50 anos, moradora da região mineradora de Oruro, durante a manifestação.

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A Bolívia enfrenta a pior crise econômica em cerca de quarenta anos, marcada por inflação elevada, escassez de dólares e aumento dos preços de produtos essenciais. Em abril, a inflação anual do país chegou a 14%. As reivindicações iniciais dos protestos incluíam reajustes salariais, melhoria no abastecimento de combustíveis e medidas para estabilizar a economia. Nos últimos dias, porém, as manifestações ganharam um caráter mais político e passaram a exigir a saída do presidente.

Mudança política e desafios do governo

Rodrigo Paz assumiu o comando do país há seis meses após encerrar duas décadas de governos socialistas liderados por Evo Morales, entre 2006 e 2019, e Luis Arce, entre 2020 e 2025. O governo tem feito apelos por diálogo e prometido ouvir diferentes setores sociais, mas enfrenta dificuldades para conter a insatisfação popular.

Os impactos da crise também atingiram a rotina da capital. Muitos estabelecimentos comerciais fecharam as portas por temor de saques, enquanto vendedores ambulantes retiraram mercadorias das ruas. Em El Alto, cidade vizinha a La Paz, moradores bloquearam acessos ao principal aeroporto do oeste boliviano.

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