O estado do Acre, localizado na região Norte do Brasil, possui um total de 22 Unidades de Conservação (UCs) em seu território, abrangendo uma área impressionante de 7,7 milhões de hectares. Essa extensão equivale a aproximadamente 10,8 milhões de campos de futebol, conforme dados do Sistema Estadual de Áreas Naturais Protegidas (SEANP-AC). Essas unidades são divididas em categorias federais, estaduais e municipais, incluindo proteção integral, uso sustentável e terras indígenas, com o objetivo principal de preservar a biodiversidade e promover práticas sustentáveis.
Redução histórica no desmatamento
Uma pesquisa recente do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgada na segunda-feira (26), trouxe uma notícia animadora: as unidades de conservação na região Norte registraram o menor índice de desmatamento dos últimos 11 anos. Em 2025, o desmatamento nas UCs da Amazônia foi reduzido em mais de 30%, um marco significativo na luta contra a degradação ambiental.
O estudo, realizado por meio do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que monitora a floresta por imagens de satélite desde 2008, mostrou que, de janeiro a dezembro de 2025, esses territórios protegidos tiveram 166 km² de floresta derrubada. Isso representa uma redução de 38% em comparação com os dados de 2024, indicando uma tendência positiva na conservação.
Desempenho das unidades acreanas
No Acre, três Unidades de Conservação se destacaram entre as maiores reduções de desmatamento na região. A Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex), localizada em Xapuri, com uma área aproximada de mais de 970 mil hectares, registrou 14 km² de desmatamento em 2025. Embora esse número corresponda a 1,4 mil campos de futebol, o balanço apresentou uma redução expressiva de 56% em relação a 2024, quando foram detectados 32 km² de derrubadas.
Essa melhoria pode estar relacionada a uma determinação da Justiça Federal no Acre, que em julho do ano passado ordenou ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizar o georreferenciamento das áreas ocupadas por famílias extrativistas na Resex dentro de cinco meses, uma medida que pode ter contribuído para maior controle e monitoramento.
A Floresta Estadual (FES) Rio Gregório, situada em Tarauacá, também apresentou progresso, com 6 km² desmatados em 2025, contra 7 km² em 2024, resultando em uma redução de 14%. Já a Resex Alto Juruá, que abrange municípios como Jordão, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Tarauacá, teve 5 km² de desmatamento em 2025, uma queda de 38% em relação aos 8 km² registrados no ano anterior.
Por outro lado, a Floresta Estadual (FES) do Mogno, também localizada em Tarauacá, manteve a mesma quantidade de derrubadas dos últimos dois anos, com 4 km² desmatados em 2024 e 2025, indicando a necessidade de esforços contínuos para melhorar sua proteção.
Contexto e importância das UCs
As Unidades de Conservação são espaços territoriais e aquáticos com características naturais relevantes, criados pelo poder público para preservar a biodiversidade e promover o uso sustentável dos recursos, protegendo paisagens e ecossistemas vitais. No Acre, essas áreas desempenham um papel crucial na manutenção da floresta amazônica, que é essencial para o equilíbrio climático global.
Essa redução no desmatamento é particularmente significativa diante de desafios como as queimadas, que afetaram o estado recentemente, e iniciativas como a adesão do Acre a selos de crédito de carbono para combater a degradação. Os resultados do Imazon reforçam a importância de políticas públicas e ações locais na conservação ambiental, oferecendo um exemplo positivo para outras regiões da Amazônia.