Mato Grosso tem 94 mil casas que queimam lixo, revela IBGE; prática ameaça saúde e meio ambiente
94 mil casas em MT queimam lixo, aponta IBGE; risco para saúde

Mato Grosso registra 94 mil domicílios que queimam lixo, segundo dados do IBGE

Uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou uma situação alarmante no estado de Mato Grosso: aproximadamente 94 mil residências ainda realizam o descarte de lixo por meio da queima dentro das próprias propriedades. Os números, divulgados na sexta-feira (17) através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) 2025, representam 6,8% do total de cerca de 1,37 milhão de domicílios no estado, evidenciando que práticas inadequadas de destinação de resíduos persistem, mesmo com avanços na coleta regular.

Panorama do descarte de lixo em Mato Grosso

De acordo com o levantamento do IBGE, a maior parte dos domicílios mato-grossenses, cerca de 1,18 milhão, conta com coleta direta de lixo realizada pelo serviço de limpeza urbana. Outros 67 mil utilizam caçambas disponibilizadas pelo poder público, enquanto aproximadamente 31 mil residências adotam outras formas de destinação. No entanto, o foco recai sobre os quase 100 mil lares que optam pela queima, uma prática considerada prejudicial em múltiplos aspectos.

A queima de lixo dentro das propriedades é apontada como um problema que afeta tanto o meio ambiente quanto a saúde e a segurança da população, destaca o instituto. O acesso a serviços básicos, como destinação adequada do lixo, abastecimento de água e esgotamento sanitário, é essencial para a melhoria das condições de vida, mas o estado ainda enfrenta limitações significativas.

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Infraestrutura e desafios no saneamento

Embora Mato Grosso apresente ampla cobertura em serviços como coleta de lixo e energia elétrica, que alcança a totalidade dos domicílios, o saneamento básico revela deficiências críticas. Apenas 38% das residências estão conectadas à rede geral de esgotamento sanitário, um índice que reflete a necessidade de investimentos urgentes. Este cenário indica que, apesar dos progressos na infraestrutura, desafios como o descarte inadequado de resíduos e a baixa cobertura de esgoto ainda precisam ser enfrentados para garantir melhores condições de saúde e qualidade de vida à população.

Riscos e casos reais de incêndios por queima de lixo

A queima de resíduos não é apenas uma questão ambiental, mas também uma ameaça à segurança pública, podendo ocasionar desastres e perdas materiais. Relembre alguns incidentes recentes em Mato Grosso:

  • Incêndio em Cuiabá: Um incêndio em um terreno urbano no Bairro Consil, atrás de um supermercado na Miguel Sutil, foi causado por moradores que atearam fogo em lixos. O Corpo de Bombeiros controlou as chamas, que produziram muita fumaça devido a entulho e vegetação seca.
  • Casa destruída em Sinop: Uma residência de madeira no bairro Brasília foi consumida por um incêndio após uma moradora atear fogo em caramujos no terreno. Com o vento, as chamas se espalharam rapidamente, destruindo a casa de 70 metros quadrados.
  • Incêndio em Lucas do Rio Verde: Um incêndio que atingiu 56 hectares de vegetação nativa próximo a uma propriedade rural levou três dias para ser contido. Os bombeiros acreditam que o fogo começou por ação humana, com entulhos e lixo se espalhando, exigindo mais de 20 mil litros de água para combater as chamas.

Cenário em Cuiabá e comparação nacional

Na capital, Cuiabá, os índices são mais positivos, com cerca de 99% dos domicílios possuindo acesso ao serviço formal de coleta de lixo, seja por coleta direta ou por caçamba. A taxa de descarte através de coleta direta supera a média nacional, alcançando 93% dos lares atendidos. No entanto, isso não elimina os riscos associados às práticas inadequadas em outras regiões do estado.

Em resumo, os dados do IBGE servem como um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes em Mato Grosso, focadas em educação ambiental, expansão da coleta de lixo e melhoria do saneamento, a fim de proteger a saúde da população e preservar o meio ambiente contra os perigos da queima de resíduos.

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