Quase 10 toneladas de peixes mortos retiradas do Açude Velho em Campina Grande
10 toneladas de peixes mortos no Açude Velho, Campina Grande

Uma operação de limpeza de grande porte foi necessária no principal cartão-postal de Campina Grande, no Agreste da Paraíba. Quase 10 toneladas de peixes mortos já foram retiradas das águas do Açude Velho, em um episódio que se repetiu, mas em uma escala alarmante, durante o último fim de semana.

Operação de limpeza e causas do desastre

De acordo com o secretário municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), Dorgival Vilar, a retirada dos animais começou no domingo, dia 11, e mobiliza mais de 60 homens. Os peixes recolhidos estão sendo destinados a um aterro sanitário.

Embora a mortandade de peixes seja um problema recorrente no local, a dimensão do ocorrido chamou a atenção. Especialistas apontam que o fenômeno é causado por um processo natural de eutrofização, com a junção de fósforo e nitrogênio que reduz o oxigênio na água e sufoca os animais, comum nesta época do ano. No entanto, o agravamento da situação tem gerado transtornos para a população, com forte mau cheiro na região.

Como medida emergencial, a prefeitura está utilizando e pretende intensificar o uso de aeradores para movimentar e oxigenar a água do açude, tentando evitar novas mortes.

Investigações em andamento

O caso não passou despercebido pelas autoridades. Tanto a Polícia Civil quanto o Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriram investigações para apurar as causas da mortandade em massa.

A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar a possibilidade de crime ambiental. Peritos colheram amostras de água e de um peixe para análise no Núcleo de Laboratório Forense do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), visando determinar se houve ação humana intencional por trás do evento.

O MPPB, por sua vez, já conduz um inquérito civil desde 11 de novembro, sob responsabilidade do promotor do Meio Ambiente de Campina Grande, Hamilton de Souza Neves. A investigação do MP é mais ampla e também apura o despejo irregular de esgoto no Açude Velho.

A Defensoria Pública do Estado (DPE-PB) também entrou no caso, requisitando à prefeitura, em um prazo de 15 dias, uma série de informações. A lista inclui relatórios técnicos de monitoramento da água dos últimos seis meses, cronograma de ações para recuperação do açude, detalhamento da aplicação de recursos nos últimos três anos e informações sobre riscos à saúde pública.

Projetos de longo prazo para o cartão-postal

Enquanto isso, a Prefeitura de Campina Grande busca soluções definitivas. A Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente confirmou que um projeto de requalificação do Açude Velho deve ser finalizado até o fim do primeiro semestre de 2026, dependendo de uma licitação.

O projeto ambicioso inclui não apenas a instalação de equipamentos para oxigenação permanente da água, cujo número e prazo ainda estão em estudo, mas também a dragagem do reservatório para melhorar a qualidade da água e reduzir sedimentos. A iniciativa também prevê melhorias nas calçadas, instalação de mobiliário urbano, ações de acessibilidade e tratamento das águas.

O Açude Velho, construído em um período de seca extrema e que já abasteceu a região, hoje tem valor histórico e paisagístico, mas não supre a cidade com água. Ele recebe água poluída de canais e a cidade é abastecida pelo Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão. O episódio recente evidencia a urgência de intervenções que preservem este importante marco campinense.