O tribunal israelense rejeitou nesta quarta-feira, 6, o recurso da defesa e manteve a prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, detidos quando participavam de uma flotilha rumo à Faixa de Gaza. A decisão confirma a prorrogação da detenção até domingo, conforme informou a advogada dos ativistas.
Detenção em águas internacionais
Os dois foram detidos na quinta-feira da semana passada em frente à costa da ilha grega de Creta, por forças israelenses. Enquanto os outros 170 ativistas foram transferidos para uma ilha grega e libertados, Ávila e Abu Keshek foram levados para Israel para interrogatório. Na terça-feira, 5, um tribunal israelense já havia prorrogado a detenção para permitir mais tempo de interrogatório, decisão que a defesa tentou reverter sem sucesso.
Alegações de maus-tratos
A advogada Hadeel Abu Salih afirmou que o tribunal de Beerseba aceitou todos os argumentos do Estado e da polícia, mantendo a decisão anterior. A ONG israelense Adalah, que representa os ativistas, classificou a detenção como ilegal e denunciou maus-tratos contínuos durante a prisão. Segundo a Adalah, eles estão em isolamento total, submetidos a iluminação intensa 24 horas por dia e permanecem vendados durante transferências, inclusive em exames médicos. As autoridades israelenses negam as acusações.
Acusações sem formalização
Nenhum dos dois foi formalmente acusado, mas Israel os acusa de ter vínculos com o Hamas e de manter ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), grupo que os Estados Unidos acusam de atuar clandestinamente em nome do grupo terrorista. A Adalah informou que as autoridades os acusam de ajudar o inimigo em tempo de guerra e de pertencer a uma organização terrorista.
Reação internacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo da Espanha exigiram a libertação dos ativistas. Lula declarou que manter a prisão de Thiago Ávila é uma ação injustificável do governo de Israel e deve ser condenada por todos. O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas, Thameen Al-Kheetan, pediu libertação imediata e incondicional, afirmando que não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza.
Contexto da flotilha
A flotilha partiu da França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino devastado pela guerra. Israel controla todos os pontos de entrada em Gaza, que permanece sob bloqueio desde 2007. Os advogados denunciam que a prisão ocorreu em águas internacionais, caracterizando um sequestro sem autoridade.



