Campinas tem aumento de 61,7% em queixas sobre imóveis abandonados em 2025
Campinas: reclamações de imóveis abandonados sobem 61,7%

Campinas enfrenta aumento significativo em reclamações sobre imóveis abandonados

A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, registrou um aumento expressivo de 61,7% nas reclamações relacionadas a imóveis abandonados entre os anos de 2024 e 2025. De acordo com dados da prefeitura, o total de queixas recebidas pelo serviço 156 saltou de 554 em 2024 para 896 no ano passado, evidenciando uma preocupação crescente entre os moradores.

Problemas recorrentes relatados pela população

Os residentes que vivem próximos a esses imóveis em situação de abandono têm enfrentado uma série de dificuldades. Entre as principais reclamações estão a sujeira acumulada, o lixo descartado irregularmente, o mato alto que invade as calçadas e as infiltrações que comprometem as estruturas. Além disso, há um risco elevado de proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, e um sentimento generalizado de insegurança, que afeta a qualidade de vida na região.

Casos específicos que ilustram a gravidade da situação

Um exemplo emblemático ocorreu na Rua Saldanha Marinho, no centro da cidade. Uma casa abandonada apresenta pintura descascada, reboco exposto, umidade visível e mato alto, além de recipientes plásticos que podem acumular água. Câmeras de segurança capturaram o momento em que três homens utilizaram uma escada para acessar o imóvel, conforme relatado por Júlio Brito, gerente de uma loja vizinha. No dia seguinte, a fachada de um prédio adjacente, que havia sido recentemente pintada, amanheceu com uma extensa pichação.

Júlio detalhou o ocorrido: “Eles subiram no telhado, colocaram uma escada extensora, fizeram a pichação e saíram às quatro e pouco da manhã. Nas filmagens dá para ver certinho eles subindo por aqui e acessando a casa, para ter acesso à parede do prédio”. Moradores do prédio vizinho também observam, através das janelas, uma árvore crescendo dentro da casa, telhas faltando, portas e janelas abertas, e uma grande quantidade de lixo espalhada, o que aumenta o risco de focos de dengue durante as chuvas.

Outro caso preocupante envolve um imóvel na Avenida Princesa d'Oeste, onde anteriormente funcionava uma agência bancária. Uma moradora, que preferiu não se identificar, relatou episódios frequentes de violência dentro do local, que tem sido ocupado por pessoas em situação de rua. Ela descreve: “A gente ouve briga, discussão, ameaça de chamar a polícia”. Além disso, o imóvel emite mau cheiro e tem sido alvo de furtos constantes, com o roubo de partes metálicas como corrimões, fechaduras e fiação.

Ações da prefeitura em resposta às demandas

Em nota oficial, a prefeitura de Campinas afirmou que todas as demandas registradas no 156 são encaminhadas às secretarias responsáveis, com prioridade para os casos relacionados à dengue. Quando necessário, são realizadas vistorias, e em situações de imóveis fechados, o Grupo de Resposta Unificada (GRU) pode adentrar os locais com o apoio de um chaveiro e o uso de drones.

No caso específico da Rua Saldanha Marinho, as reclamações foram formalizadas em 5 de janeiro e direcionadas à Secretaria de Serviços Públicos. O proprietário foi notificado para realizar a limpeza do imóvel e tem até 6 de fevereiro para cumprir a determinação; caso contrário, poderá ser multado em 250 Ufics. Já em relação ao imóvel na Avenida Princesa d’Oeste, a prefeitura esclareceu que a responsabilidade é do proprietário, e a Coordenadoria de Fiscalização fará uma vistoria para emitir a notificação correspondente.

A administração municipal também informou que ambas as regiões estão incluídas no patrulhamento de rotina da Guarda Municipal, incentivando a população a comunicar situações suspeitas pelo telefone 153, disponível 24 horas por dia. Para as denúncias envolvendo pessoas em situação de rua, o Serviço de Abordagem Social será acionado para realizar as intervenções necessárias.

Contexto mais amplo e esforços municipais

A prefeitura destacou ainda que, em 2026, o primeiro mutirão contra a dengue e outras arboviroses ocorreu em 23 de janeiro, resultando na vistoria de 7.132 imóveis comerciais e residenciais em diversos bairros. No ano anterior, 2025, foram visitados impressionantes 1.512.060 imóveis em toda a cidade. Além disso, a Secretaria de Serviços Públicos já recolheu aproximadamente 1.600 toneladas de lixo em mutirões de limpeza realizados em 21 bairros, incluindo a roçagem de praças e canteiros centrais, e o recolhimento de resíduos descartados irregularmente.

Este cenário evidencia a complexidade do problema dos imóveis abandonados em Campinas, que vai além da estética urbana, impactando diretamente a saúde pública e a segurança da comunidade. A prefeitura reforça que a manutenção dos imóveis é de responsabilidade dos proprietários, mas continua a atuar com medidas de fiscalização e apoio para mitigar os efeitos negativos.