Nível do reservatório de Furnas sobe 1,06 metro em janeiro, mas permanece abaixo da cota ideal
O reservatório de Furnas, localizado no Sul de Minas, apresentou um aumento de 1,06 metro no seu nível durante o mês de janeiro, impulsionado pelas chuvas intensas que atingiram a região. Com isso, a cota chegou a 757,71 metros, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Menor nível em cinco anos e abaixo da cota mínima
Apesar do crescimento recente, o nível atual é o menor para o período nos últimos cinco anos e segue abaixo da cota mínima considerada ideal, que é de 762 metros. Essa situação preocupa especialistas, pois afeta diretamente a capacidade de geração de energia elétrica.
De acordo com o professor Carlos Martinez, chefe do laboratório de termo-hidrelétrico da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), o volume do lago não depende apenas das precipitações. "Nós gastamos a água do reservatório de Furnas para gerar energia durante o ano passado, porque isso era conveniente para o Sistema Nacional de Energia Elétrica. Isso fez com que o reservatório naturalmente abaixasse um pouco e esse rebaixamento está sendo visto agora", explicou.
Volume útil em apenas 36,81% e riscos para a conta de energia
Com o baixo nível do reservatório, o volume útil – que é a quantidade de água armazenada acima do volume morto e disponível para geração de energia – está em 36,81% nesta sexta-feira. Esse valor está bem distante dos 80% considerados ideais para um funcionamento eficiente.
Martinez alerta que o baixo volume pode resultar em uma conta de energia mais alta para os consumidores. "O Operador Nacional do Sistema vai avaliar se vale a pena ou não elevar o nível do reservatório e recuperar a capacidade de armazenamento. Hoje, está entrando mais ou menos 1,2 mil m³/s de água no reservatório e deve estar saindo uns 800 m³/s. Então, está recuperando lentamente", detalhou.
O professor ainda destacou a importância de alcançar níveis históricos até o final do período de chuvas. "A tentativa vai ser fazer com que esse reservatório chegue o mais próximo possível de uma cota histórica no final do período de chuvas. Caso o reservatório não chegue naqueles níveis históricos, nós vamos ter que entrar em bandeira vermelha no ano que vem", completou.
Essa situação reforça a necessidade de uma gestão cuidadosa dos recursos hídricos e energéticos, especialmente em um contexto de variações climáticas e demanda crescente por eletricidade no Brasil.