MP-BA denuncia chefe e 23 integrantes da maior rede de tráfico de animais silvestres do Brasil
Maior rede de tráfico de animais silvestres do Brasil é desmantelada

Maior rede de tráfico de animais silvestres do Brasil é alvo de denúncia do MP-BA

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou um homem apontado como chefe e outros 23 integrantes da maior organização criminosa especializada no tráfico interestadual de aves silvestres do Brasil. A ação judicial marca um avanço significativo no combate a esse tipo de crime ambiental, que opera há mais de duas décadas em várias regiões do país.

Sete condenados em sentença divulgada recentemente

Segundo informações do MP-BA, sete membros da rede já foram condenados à prisão. A sentença foi anunciada na quinta-feira, 22 de janeiro, mas divulgada apenas na última quinta-feira, 29 de janeiro. Os investigados atuavam em cidades da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, demonstrando a abrangência interestadual do esquema criminoso.

O líder do grupo, identificado como Weber Sena Oliveira, conhecido como "Paulista", e outro homem foram presos em flagrante na cidade de Mascote, no extremo sul da Bahia, em setembro de 2025. Essa prisão foi parte da Operação Fauna Protegida, que desencadeou uma série de investigações e ações judiciais.

Penas aplicadas aos condenados

As condenações variam conforme o envolvimento de cada acusado. O líder "Paulista" recebeu a pena mais severa: 18 anos e 25 dias de reclusão, além de 1 ano, 2 meses e 11 dias de detenção. Outros integrantes também foram punidos:

  • Ivonice Silva, esposa de "Paulista", condenada a 6 anos, 2 meses e 29 dias de reclusão, somados a 1 ano e 29 dias de detenção.
  • Josevaldo Moreira Almeida, a 8 anos, 1 mês e 2 dias de reclusão, além de 1 ano, 2 meses e 21 dias de detenção.
  • Uallace Batista Santos, Ademar de Jesus Viana, Gilmar José dos Santos e Messias Bispo dos Santos, cada um condenado a 5 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão, acrescidos de 1 ano, 4 meses e 22 dias de detenção.

Denúncia abrangente e crimes cometidos

Em novembro de 2025, o MP-BA formalizou a denúncia contra mais de 20 integrantes da organização criminosa. Os crimes listados incluem:

  1. Integrarem rede criminosa de tráfico de animais silvestres, inclusive espécies ameaçadas de extinção.
  2. Lavagem de dinheiro.
  3. Receptação qualificada.
  4. Maus-tratos a animais.

Durante a Operação Fauna Protegida, "Paulista" e Josevaldo Moreira Almeida, conhecido como "Galego", foram flagrados transportando ilegalmente 135 pássaros. Esse episódio evidenciou a escala das atividades ilícitas.

Estrutura e atuação da rede criminosa

A denúncia do MP-BA detalha que o grupo criminoso atuava há mais de 20 anos, com uma rede que abrange principalmente a Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com ramificações para o Espírito Santo. A estrutura incluía:

  • 14 fornecedores, sendo 10 com atuação na Bahia.
  • Cinco receptores.
  • Três transportadores.
  • Uma operadora financeira.

Ivonice Silva e Silva, companheira de "Paulista", é apontada como a operadora financeira do grupo. Em apenas seis meses, entre fevereiro e agosto de 2023, foram movimentados quase R$ 500 mil em suas contas. Ela também era responsável por receber depósitos por encomendas que podiam conter mais de mil pássaros de uma vez.

Métodos de captura e condições dos animais

As investigações revelaram que os pássaros eram capturados utilizando armadilhas e redes de 20 metros de comprimento. Com essas ferramentas, os criminosos conseguiam apreender até 500 passarinhos em um único dia. As espécies incluíam estevão, canário, chorão, papa-capim, trinca-ferro, azulão e pássaro-preto, com registros de vendas de espécimes por até R$ 80 mil.

Os animais eram mantidos em cativeiros provisórios de extrema precariedade, sem alimentação suficiente, até serem transportados por "Paulista" em veículos de passeio e caminhões, majoritariamente para o Rio de Janeiro e Salvador.

Descoberta da rota e ações judiciais

A rota utilizada pelo tráfico foi descoberta por meio de um estudo de 31 manchas de calor realizado pelo projeto ‘Libertas’, da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa). Ao todo, cinco denúncias foram ajuizadas contra o grupo, quatro em 29 de outubro de 2025 e a última em 10 de novembro.

Durante as ações da operação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, 17 mandados de busca e apreensão e três prisões em flagrante. O caso continua sob acompanhamento das autoridades, com tentativas de contato com as defesas dos acusados para mais esclarecimentos.