Piracicaba e Limeira registram alta significativa de raios no mês de janeiro
O que acontece quando o corpo é atingido por um raio? Embora essa seja uma pergunta crucial para a segurança, um estudo recente do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), revela dados alarmantes sobre a incidência de descargas elétricas em duas cidades do interior paulista. Os meses de janeiro concentram um número significativamente maior de raios do que dezembro em Piracicaba e Limeira, no estado de São Paulo.
Dados comparativos mostram disparidade entre os meses
No levantamento parcial de janeiro de 2026, Piracicaba somou impressionantes 3.750 descargas elétricas até o dia 25. Esse número já se aproxima do total registrado em todo o mês de janeiro do ano anterior, que foi de 4.040 raios. Para contextualizar, em dezembro de 2025, a cidade contabilizou apenas 2.006 descargas, menos da metade do volume de janeiro.
Em Limeira, a diferença é ainda mais expressiva. Em janeiro de 2025, a cidade registrou 3.097 raios, enquanto em dezembro foram apenas 513 descargas elétricas. Até o dia 25 de janeiro de 2026, o município já acumulava 1.257 raios, indicando uma tendência de alta.
Fatores urbanos e industriais explicam o aumento
O número de raios está intimamente associado a fatores como urbanização, atividade industrial e mudanças na circulação atmosférica. Piracicaba, por exemplo, possui pelo menos três distritos industriais consolidados, além de parques automotivo e tecnológico. Limeira também apresenta forte presença industrial e extensas áreas urbanas.
Essas características intensificam o efeito das ilhas de calor e a emissão de poluentes. Conforme explica Osmar Pinto Junior, coordenador do ELAT/INPE, esses fatores atuam como núcleos de condensação, favorecendo a eletrificação das nuvens e, consequentemente, o aumento do número de descargas elétricas. "O sudeste pode ser considerado como um corredor para os sistemas frontais que aumentam a ocorrência de tempestades na região", destacou o especialista.
Influência do aquecimento global e sistemas frontais
Osmar Pinto Junior ainda ressalta que o aquecimento global tende a intensificar esses eventos, resultando em mais raios, ventos fortes e chuvas intensas. A rápida transição entre os fenômenos El Niño e La Niña também interfere na circulação atmosférica no Brasil, influenciando a frequência das descargas elétricas.
Segundo a meteorologista Ana Ávila, do Cepagri da Unicamp, grandes áreas urbanas, como as comuns na região de Campinas e Piracicaba, têm um risco maior de formação de tempestade. "As regiões urbanas também normalmente são mais quentes. Então, nas chamadas ilhas de calor, há um potencial maior de formação das tempestades. Um grande combustível para a formação dos raios são as altas temperaturas", explica Ana.
Tendência nacional e cuidados durante tempestades
O especialista do INPE alerta que o cenário segue a tendência no país. É esperado, até o fim deste século, um aumento em torno de 40% na incidência de raios no Brasil, devido ao aquecimento do planeta.
Diante desse aumento, é fundamental adotar cuidados durante tempestades:
- Dentro de casa: Evitar o uso de celular, secador de cabelo, ferro elétrico e outros aparelhos conectados à tomada; evitar uso de chuveiro ou torneira elétrica; e permanecer em local abrigado.
- Fora de casa: Buscar abrigo imediatamente, evitar áreas abertas e não se abrigar debaixo de árvores.
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas e conscientização para mitigar os riscos associados às descargas elétricas, especialmente em regiões com alta urbanização e atividade industrial.