COP30: Entenda por que faz frio no verão do Centro-Sul do Brasil
Enquanto o mundo discute aquecimento global na COP30, boa parte do Centro-Sul do Brasil enfrenta um verão com características de outono. Madrugadas frias, tardes amenas e sensação térmica abaixo do normal para janeiro têm marcado os últimos dias, levantando questionamentos sobre como é possível sentir frio em um planeta que está aquecendo.
O fenômeno atmosférico por trás do frio atípico
De acordo com a Climatempo, esse padrão climático incomum começou com a passagem de uma frente fria mais intensa do que o comum para o mês. O sistema trouxe ar frio de origem polar e encontrou condições favoráveis para se manter: muita nebulosidade, chuva frequente em parte do Sudeste e ventos que dificultam o aquecimento durante o dia.
Esse cenário deve persistir ao menos até o fim da semana, com uma elevação lenta e gradual dos termômetros prevista para os próximos dias. A combinação de fatores atmosféricos criou uma situação onde mesmo quando o sol aparece, ele surge entre nuvens e por períodos curtos, limitando significativamente o aumento da temperatura.
Como as principais capitais estão sendo afetadas
No Sudeste brasileiro, três estados se destacam pelo frio atípico:
- São Paulo (SP): As manhãs continuam frias para esta época do ano, com máximas abaixo da média histórica de janeiro. Nesta quinta-feira, o sol aparece entre muitas nuvens, mas a previsão indica pancadas de chuva à tarde e à noite, com acumulado em torno de 2,4 mm. As temperaturas variam entre 15°C e 22°C, com umidade alta ao longo do dia.
- Rio de Janeiro (RJ): O cenário é mais carregado, com previsão de chuva do começo ao fim do dia. A precipitação pode ser volumosa, ultrapassando os 30 mm, enquanto as temperaturas oscilam entre 19°C e 26°C.
- Belo Horizonte (MG): A capital mineira entra em alerta para variação de temperatura, com previsão de chuva intensa e persistente. Os volumes podem superar 50 mm, enquanto os termômetros variam pouco, entre 17°C e 20°C.
O cenário nas demais regiões do Centro-Sul
No Sul do país, o frio fora de época continua chamando atenção, principalmente nas áreas de maior altitude. Regiões de serra do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina registram madrugadas frias, com marcas bem abaixo do padrão de janeiro. Mesmo durante o dia, o aquecimento é limitado em cidades próximas à serra.
Em Porto Alegre (RS), contudo, o tempo firme predomina nos próximos dias, com sol ao longo do período, céu aberto ou poucas nuvens e sem previsão de chuva. As mínimas variam entre 17°C e 20°C, enquanto as máximas sobem e podem chegar a 29°C e 30°C.
Florianópolis (SC) ainda registra sol entre nuvens e chuva passageira nesta quinta-feira, mas a instabilidade perde força na sequência. A tendência é de um período com aberturas de sol, aumento de nebulosidade em alguns momentos e pancadas isoladas, principalmente à noite.
Já Curitiba (PR) enfrenta maior nebulosidade e tempo instável. A previsão indica formação de nevoeiro nas primeiras horas do dia, sol entre nuvens pela manhã e chuva fraca e isolada no fim do dia e à noite. No fim de semana, o céu segue mais fechado, com poucas aberturas de sol.
O Centro-Oeste entre chuvas intensas e calor
No Centro-Oeste, Brasília (DF) entra em uma sequência de dias muito chuvosos. A quinta-feira começa com chuva contínua, volumes elevados próximos de 43 mm, e temperaturas baixas para a época, entre 18°C e 22°C. Na sexta-feira, o cenário se repete com pancadas fortes e trovoadas, acumulados ainda maiores perto de 50 mm.
Goiânia (GO) também segue com tempo instável, mas com mais variação ao longo do dia. A quinta-feira tem chuva forte pela manhã, algumas aberturas de sol à tarde e novas pancadas até a noite, com acumulado em torno de 22 mm.
Em contraste, Campo Grande (MS) fica na contramão do restante da região. A capital sul-mato-grossense deve ter tempo firme e calor, com sol predominante, poucas nuvens e sem previsão de chuva. As temperaturas sobem dia após dia, com máximas entre 32°C e 36°C, especialmente no domingo.
Entendendo a relação com o aquecimento global
Especialistas em climatologia explicam que eventos climáticos extremos, como esse frio atípico no verão, podem ser manifestações das mudanças climáticas globais. O aquecimento do planeta não significa que todos os lugares ficarão mais quentes o tempo todo, mas sim que os padrões climáticos se tornam mais instáveis e extremos.
O fenômeno atual no Centro-Sul do Brasil serve como um lembrete de que as discussões da COP30 sobre estratégias de combate às mudanças climáticas são mais relevantes do que nunca. Enquanto os termômetros registram temperaturas abaixo do normal em algumas regiões, outras partes do mundo enfrentam ondas de calor recordes, demonstrando a complexidade dos sistemas climáticos globais.