O Rio Tietê amanheceu coberto por uma densa camada de espuma tóxica nesta quinta-feira (14) em Salto, interior de São Paulo. O fenômeno, que se repete anualmente, colocou a prefeitura e órgãos ambientais em estado de alerta devido aos riscos à saúde pública.
Poluição vinda da Grande São Paulo
De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, o Tietê recebe cerca de 600 toneladas de lixo e poluentes por dia. A espuma se forma quando resíduos de detergentes e outros produtos químicos, lançados sem tratamento no rio, são agitados pela força da água nas cachoeiras da cidade. A falta de chuvas recentes agravou a concentração de poluentes.
Alerta para turistas e moradores
Embora a paisagem atraia visitantes ao Complexo Turístico da Cachoeira, a Defesa Civil e a prefeitura alertam que a espuma é tóxica. O contato com a pele e os olhos pode causar irritações. A recomendação é que as pessoas não se aproximem do local.
A Prefeitura de Salto informou, em nota, que o problema é recorrente e que a solução depende do fim do lançamento de esgoto sem tratamento pelas cidades da Grande São Paulo. "Todo ano esse fenômeno acontece aqui em Salto e só acabaria se as cidades da Grande São Paulo cessassem o lançamento da poluição", diz a nota.
Fiscalização da Cetesb
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) atribuiu o evento à chuva do último domingo (10), que teria "lavado" poluentes acumulados nas margens e em rios menores, levando-os para o leito principal do Tietê. A Cetesb destacou que mantém fiscalização na região e, desde março de 2025, realizou 419 inspeções.
Cheia histórica em fevereiro
Em contraste com a espuma tóxica, o Rio Tietê registrou uma grande cheia em fevereiro deste ano, com vazão de 520 metros cúbicos por segundo (m³/s), bem acima da média de 200 a 300 m³/s. Segundo o Cemaden, a cheia foi causada principalmente pelo volume de água vindo da região metropolitana de São Paulo.



