A combinação entre tensões geopolíticas, alta dos combustíveis fósseis, expansão da inteligência artificial e queda dos custos de solar e eólica está impulsionando investimentos em fontes limpas nos Estados Unidos e no mundo, mesmo após uma ofensiva agressiva do presidente Donald Trump contra políticas climáticas.
Energia renovável como segurança energética
Analistas do setor afirmam que a energia renovável passou a ser vista menos como uma agenda ambiental e mais como uma questão de segurança energética, competitividade econômica e redução de custos. Em março de 2026, pela primeira vez na história dos EUA, a geração de eletricidade por fontes renováveis superou a produzida por usinas a gás natural.
Escalada no Oriente Médio
A guerra envolvendo o Irã e as ameaças ao estreito de Ormuz provocaram disparada nos preços internacionais dos combustíveis fósseis e ampliaram temores sobre dependência energética. Na Europa, as vendas de veículos elétricos registraram forte alta. Países como a Coreia do Sul aceleraram planos de expansão de solar, eólica e armazenamento em baterias. Mais de 50 países reunidos na Colômbia avançaram em compromissos para reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis.
Trump tenta desmontar agenda climática
Desde janeiro de 2025, Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, reduziu incentivos fiscais para projetos verdes e flexibilizou regulações ambientais. Parte do setor de petróleo se beneficiou, mas especialistas avaliam que o mercado impôs limites às tentativas de desacelerar a transição energética.
Expansão recorde de renováveis nos EUA
Mesmo com cortes de subsídios, os EUA devem registrar em 2026 a maior expansão de capacidade elétrica em mais de duas décadas. Segundo a EIA, o país adicionará 86 gigawatts de nova capacidade, dos quais 93% virão de solar, eólica e baterias. A energia solar sozinha responderá por mais da metade das novas instalações.
Especialistas apontam três razões: preço competitivo, tempo de implantação mais rápido que usinas a gás, e explosão da demanda por IA. Data centers podem consumir até 12% da eletricidade americana até 2028, impulsionando a busca por fontes renováveis.
Texas como símbolo da virada
O Texas, historicamente ligado ao petróleo, tornou-se líder nacional em geração eólica e um dos maiores mercados de solar e baterias, por razões econômicas: energia mais barata e rápida para atender crescimento industrial e tecnológico.
Transição além da pauta ambiental
Governos e consumidores passaram a enxergar renováveis como instrumentos de segurança nacional, estabilidade de preços e independência energética. Essa mudança torna a transição mais resiliente e menos dependente de subsídios ou discursos ambientais.



