1 em cada 5 brasileiros relata viagem astral, aponta estudo da Nature Communications Psychology
1 em cada 5 brasileiros relata viagem astral

Viagem astral é mais comum do que se imagina

Uma pesquisa publicada na revista científica Nature Communications Psychology revela que aproximadamente 1 em cada 5 brasileiros já teve uma experiência de viagem astral, também conhecida como experiência fora do corpo. O estudo, conduzido por cientistas apoiados pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e pela iniciativa IDOR Ciência Pioneira, analisou respostas de mais de 11 mil participantes em seis estudos diferentes.

Os pesquisadores constataram que fenômenos como déjà vu, sonhos lúcidos, sensação de presença invisível e ouvir vozes sem fonte aparente são vivenciados pela maioria da população. Entre 97,57% e 99,5% dos participantes relataram pelo menos uma experiência considerada “não ordinária”.

O que é viagem astral para a ciência

No estudo, a viagem astral é descrita como uma experiência subjetiva em que a pessoa sente que sua consciência está separada do corpo físico, podendo observá-lo de fora. Os pesquisadores tratam o fenômeno como uma percepção da consciência, sem associá-lo automaticamente a interpretações espirituais ou paranormais.

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Embora menos frequente que experiências emocionais ou cognitivas, a viagem astral foi relatada por 13% a 20% dos participantes. Segundo Ronald Fischer, principal autor do estudo, esses números ajudam a reduzir o estigma em torno do tema. “Muitas pessoas passam por isso e não sabem como interpretar. Algumas ficam em dúvida se precisam de ajuda ou se é algo problemático”, afirma.

O paradoxo da prevalência

O estudo identificou o “paradoxo da prevalência”, que descreve como a forma de perguntar influencia os relatos. Perguntas em contexto clínico reduziram significativamente as respostas afirmativas, enquanto escalas de frequência aumentaram em mais de quatro vezes a chance de relatos positivos. “Quando você pergunta quantas vezes a pessoa teve a experiência, já sinaliza que é algo comum”, explica Fischer.

Os pesquisadores defendem que essas experiências não devem ser automaticamente interpretadas como sintomas psiquiátricos, espirituais ou paranormais. Em vez disso, propõem que a ciência primeiro compreenda como as pessoas percebem e descrevem tais vivências subjetivas.

Experiências mais comuns

Entre os fenômenos investigados, o déjà vu foi o mais relatado. Também tiveram alta prevalência sentimentos intensos de amor, compaixão profunda, alegria intensa, sonhos lúcidos e absorção cognitiva. Mesmo experiências consideradas raras, como sensação de presença invisível (30% a 57%) e percepção extrassensorial (41% a 55%), foram frequentes.

A professora Bárbara Pires, da UFRJ, que vive experiências fora do corpo desde a infância, destaca a importância de uma abordagem aberta. “Considero a explicação espiritual uma possibilidade legítima, mas essas experiências são complexas e não devem ser reduzidas a uma única interpretação”, diz.

Os autores concluem que experiências não ordinárias podem ajudar a compreender processos fundamentais da mente humana, como memória, percepção e emoção, e que só devem ser interpretadas como patológicas quando acompanhadas de sofrimento ou prejuízo funcional.

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