Troncos petrificados de 280 milhões de anos são descobertos no interior do Piauí
Troncos petrificados de 280 milhões de anos achados no Piauí

Troncos petrificados de 280 milhões de anos são descobertos no interior do Piauí

Uma descoberta paleontológica de grande relevância foi registrada na quinta-feira, 29 de fevereiro, no município de Miguel Alves, localizado no interior do estado do Piauí. Troncos petrificados com aproximadamente 280 milhões de anos foram identificados na zona rural da região, após moradores locais encontrarem os vestígios e notificarem as autoridades municipais sobre o achado.

Análise especializada da Universidade Federal do Piauí

Diante da importância do material, a prefeitura de Miguel Alves solicitou a presença de um especialista da Universidade Federal do Piauí (UFPI) para avaliar os fósseis. O professor Juan Cisneros, pesquisador da instituição, foi designado para conduzir a análise inicial dos troncos petrificados. Segundo ele, os fósseis pertencem ao Período Permiano da Era Paleozoica, o que os torna mais antigos do que os dinossauros, datando de uma época remota da história da Terra.

Características raras e significativas dos fósseis

Durante a investigação no local, o professor Cisneros identificou pelo menos dez troncos petrificados, todos pertencentes ao grupo das gimnospermas. Essas plantas são aparentadas aos pinheiros e às araucárias que conhecemos hoje, representando uma vegetação muito distinta da que atualmente predomina no Piauí, marcada por caatinga e cerrado. Um aspecto notável da descoberta é que alguns dos troncos parecem estar em posição de vida, ou seja, na vertical, um tipo de registro considerado raro em escala global e que já havia sido observado anteriormente na Floresta Fóssil de Teresina, também no Piauí.

Implicações para a compreensão da história geológica e climática

Para o pesquisador, descobertas como essa são fundamentais para ampliar o conhecimento sobre a história geológica, ambiental e climática não apenas do Nordeste brasileiro, mas do planeta como um todo. Os fósseis indicam que, há milhões de anos, a região do Piauí apresentava condições naturais drasticamente diferentes das atuais, com florestas de coníferas onde hoje predominam paisagens áridas. “Quem imaginaria que o Piauí um dia esteve coberto por pinheiros e araucárias? Os fósseis recém-descobertos reforçam esse modelo”, destacou Cisneros, enfatizando a importância do achado para reconstruir o passado da área.

Potencial turístico e econômico para a região

Além do valor científico, a descoberta dos troncos petrificados abre perspectivas para o desenvolvimento local. De acordo com o professor, com os devidos investimentos, a criação de um museu ou parque paleontológico na região de Miguel Alves poderia transformar a área em um atrativo turístico significativo. Isso, por sua vez, geraria oportunidades de renda e emprego para a população local, promovendo o crescimento econômico sustentável a partir do patrimônio natural e histórico.

A identificação desses fósseis reforça a riqueza paleontológica do Piauí, estado que já abriga outros sítios importantes, como a mencionada Floresta Fóssil de Teresina. A continuidade das pesquisas e a preservação do local são essenciais para desvendar mais segredos sobre a evolução da vida e do clima na Terra, ao mesmo tempo em que destacam o potencial do interior brasileiro para contribuir com a ciência e o turismo.