O Governo do Pará sancionou uma lei estadual que institui o “Dia de Alfredo” no calendário oficial de eventos do estado. A data será celebrada anualmente em 16 de junho para homenagear o escritor paraense Dalcídio Jurandir, um dos principais nomes da literatura regional. Alfredo é protagonista e alter ego do autor em suas obras. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado na última semana.
Reconhecimento e trajetória do escritor
Natural de Ponta de Pedras, no arquipélago do Marajó, Dalcídio Jurandir foi vencedor do Prêmio Machado de Assis, em 1972. Em abril de 2025, a obra do escritor também foi reconhecida como patrimônio cultural e artístico de natureza imaterial do Pará, por meio da Lei nº 10.967, sancionada pelo governador Helder Barbalho.
Segundo publicação no Diário Oficial, a governadora Hana Ghassan destacou que a lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) antes da sanção. O texto estabelece a inclusão da data no calendário oficial em reconhecimento à contribuição do autor para a cultura amazônica.
Idealização e trajetória municipal
A criação do “Dia de Alfredo” foi idealizada por José Varella Pereira, sobrinho do escritor. A homenagem já existia em âmbito municipal, instituída pela Lei nº 9.164/2015, também em referência à data de falecimento de Dalcídio Jurandir.
Papel da Ioepa na valorização da obra
A oficialização do “Dia de Alfredo” também é resultado do trabalho da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), por meio da Editora Pública Dalcídio Jurandir, na divulgação e valorização da obra do escritor. A Ioepa assumiu o compromisso de reeditar a obra completa do “Ciclo do Extremo Norte”, conjunto de dez livros em que Dalcídio Jurandir narra a trajetória de seu alter ego, Alfredo.
Títulos como “Chove nos Campos de Cachoeira” e “Marajó” já foram reeditados. A meta da instituição é publicar os outros oito livros da série até o final deste ano.
Importância para a literatura regional
Especialista na obra de Dalcídio Jurandir, o professor de literatura da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Paulo Nunes, destaca a importância do trabalho desenvolvido pela editora pública e pela Ioepa na preservação e difusão da produção literária do autor marajoara.
“Dalcídio é grande, mas sempre sofreu com edições precárias, mal revisadas, mal distribuídas. Sempre nos esforçamos para divulgar sua literatura, mas isto é impossível sem livros de qualidade. A Ioepa tem feito um trabalho extraordinário, políticas públicas a favor do livro e da literatura. O Dia de Alfredo, iniciado na Uepa, tomou grandes proporções com este reconhecimento governamental. Eu destaco a Ieopa em sua ação inovadora”, pontua Paulo Nunes.



