Com pouco mais de 2,8 mil habitantes, a cidade de Gabriel Monteiro, localizada na região de Araçatuba, interior de São Paulo, alcançou uma posição de destaque nacional no ranking do Índice de Progresso Social (IPS) divulgado pelo Instituto Imazon nesta quarta-feira, 20 de novembro de 2025. O município conquistou a 8ª colocação entre as 5.570 cidades brasileiras avaliadas, superando centros urbanos muito maiores do noroeste paulista, como Araçatuba e São José do Rio Preto.
Ranking IPS e metodologia
O g1 teve acesso com exclusividade ao levantamento, que se baseia em 57 indicadores sociais e ambientais. Diferentemente de rankings econômicos tradicionais, o IPS não mede apenas geração de riqueza, mas considera fatores como acesso à saúde, educação, saneamento, moradia, segurança, inclusão social e oportunidades. O índice varia de 0 (pior) a 100 (melhor).
Gabriel Monteiro obteve nota geral de 71,6. Em comparação, Araçatuba ocupa o 76º lugar, com 69,21 pontos, e Rio Preto aparece na 270ª posição nacional, com 67,35 pontos. O IPS é realizado pelo Imazon em parceria com a Fundação Avina, Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative.
Desempenho em necessidades básicas
Em Gabriel Monteiro, o melhor desempenho foi registrado na dimensão Necessidades Humanas Básicas, com 87,97 pontos. Esse eixo reúne indicadores relacionados a alimentação, moradia, saneamento, segurança e acesso à saúde. Dados do IBGE ajudam a explicar esse resultado: 89,4% dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado e 98,87% das vias públicas são arborizadas.
No eixo Bem-Estar, que avalia acesso à educação, informação, saúde e qualidade ambiental, a cidade obteve 71,18 pontos. A taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos chega a 99,17%, segundo dados de 2022. Com população estimada em 2.813 habitantes em 2025, Gabriel Monteiro possui IDHM de 0,763 e PIB per capita de R$ 44,8 mil.
Desafios em Oportunidades
Apesar da posição de destaque, a dimensão Oportunidades – que mede inclusão social, direitos individuais e acesso ao ensino superior – foi a pior avaliada, com 54,33 pontos. Esse cenário reflete uma tendência nacional: segundo o relatório do IPS Brasil, o eixo Oportunidades teve a menor média entre todos os componentes, com 46,82 pontos. Os piores resultados nacionais estão em indicadores de direitos individuais, inclusão social e acesso à educação superior.
Araçatuba entre as 100 melhores
Araçatuba alcançou a 76ª posição nacional, com nota geral de 69,21. O melhor desempenho foi no eixo Bem-Estar, ocupando a 46ª posição nacional, com 76,18 pontos. Em Necessidades Humanas Básicas, obteve 81,63 pontos (783º lugar) e em Oportunidades, 49,81 pontos (560º).
Com população estimada em 208,4 mil habitantes, Araçatuba possui IDHM de 0,788. Dados do IBGE indicam que 97,31% dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado, 95,64% das vias são arborizadas, o PIB per capita é de R$ 57,2 mil, o salário médio é de 2,4 salários mínimos e a taxa de escolarização de crianças de 6 a 14 anos é de 98,67%.
Rio Preto: destaque em bem-estar, mas cai em oportunidades
Principal polo econômico do noroeste paulista, São José do Rio Preto aparece na 270ª posição nacional, com nota geral de 67,35. O município registrou 83,74 pontos (360º) em Necessidades Humanas Básicas e 76,41 (37º) em Bem-Estar, desempenho semelhante ao de Araçatuba nesse eixo. No entanto, em Oportunidades, Rio Preto obteve apenas 41,91 pontos, o que a colocou na 3.768ª posição nesse quesito.
Com população estimada em 504,1 mil habitantes, Rio Preto possui IDHM de 0,797 e PIB per capita de R$ 54,9 mil. Segundo o IBGE, 95,13% dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado, 97,49% das vias públicas são arborizadas, a taxa de escolarização de crianças de 6 a 14 anos é de 98,39% e a taxa de mortalidade infantil é de 9,06 mortes por mil nascidos vivos.
Como o IPS é calculado
O IPS varia de 0 a 100. Os indicadores socioambientais são agrupados em três dimensões:
- Necessidades humanas básicas: acesso a água potável, saneamento, moradia, segurança pessoal, nutrição e cuidados médicos básicos.
- Fundamentos do bem-estar: acesso ao conhecimento básico, informação e comunicação, saúde, bem-estar e qualidade do meio ambiente.
- Oportunidades: direitos individuais, liberdade de escolha, inclusão social e acesso à educação superior.
Para consolidar o índice, calcula-se a média dos componentes de cada dimensão e, em seguida, uma nova média aritmética entre as três dimensões. Os municípios foram classificados em nove grupos, do grupo 1 (nota igual ou acima de 68,37) ao grupo 9 (nota igual a 46,50).
Segundo a coordenadora do IPS Brasil, Melissa Wilm, o objetivo é entender a capacidade do poder público em atender às necessidades humanas da população. “O IPS mede resultados e não volume de investimentos ou riquezas. Nos interessa saber se os serviços públicos estão, de fato, sendo entregues aos cidadãos”, destaca.



