Na segurança pública, área marcada por intensos debates sobre as melhores políticas para reduzir a criminalidade, um consenso global começa a se formar: o uso intensivo da tecnologia como ferramenta central no enfrentamento aos bandidos. O Brasil integra o seleto grupo de nações que adotaram esse caminho, colhendo resultados promissores até o momento.
Câmeras de reconhecimento facial: o braço visível da estratégia
Uma das faces mais evidentes dessa aposta é o investimento maciço em câmeras de reconhecimento facial. Atualmente, mais de 100 mil equipamentos desse tipo operam no país, sendo responsáveis diretos por aproximadamente 5.500 prisões anuais de foragidos da Justiça. Muitos desses criminosos, autores de delitos graves como homicídios e sequestros, permaneciam impunes por anos até serem capturados pelos olhos eletrônicos espalhados por ruas, estações de transporte e até portas de estádios de futebol.
A onda de monitoramento eletrônico evidencia a adoção da tecnologia como a forma mais inteligente de combate ao crime. Conforme revela reportagem desta edição, o arsenal de inovações inclui ainda drones, modelos sofisticados de mapeamento e prevenção de delitos, câmeras de leitura automática de placas veiculares, equipamentos de raio X capazes de enxergar através de paredes, técnicas modernas de identificação genética e a proliferação das bodycams – câmeras corporais nos uniformes dos policiais militares – que, após certa resistência inicial, hoje são rotina em corporações de ao menos quinze estados.
Inteligência artificial e análise preditiva
Em outra frente importante, destaca-se a expansão dos recursos de inteligência artificial. Entre os modelos mais disseminados está a chamada análise preditiva, que utiliza tecnologia para mapear locais com maior incidência criminal – os hotspots –, detectar padrões e recorrências e, assim, prevenir novos delitos e desencadear operações mais eficientes de sufocamento da criminalidade.
Evidentemente, esse conjunto de ferramentas não representa uma solução mágica para o problema da segurança, uma das maiores preocupações dos brasileiros na atualidade. A violência produz tragédias diárias em todos os cantos do país, e a população, cada vez mais acuada, adota novos hábitos e rotinas na tentativa de se proteger dos ladrões.
Programa federal e críticas ao timing eleitoral
Sob constante pressão por soluções, o governo federal lançou, na terça-feira 12, o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, com investimentos de 11 bilhões de reais – sendo 1 bilhão em aporte direto e 10 bilhões em linhas de crédito para os estados. Parte desse montante será destinada à compra de equipamentos como drones e câmeras corporais para as polícias. No entanto, o fato de a iniciativa ter sido apresentada no apagar das luzes da atual gestão, em meio à campanha de reeleição do presidente Lula, recebeu merecidas críticas. A escalada da criminalidade tornou-se uma chaga nacional, e a solução certamente não virá de ações improvisadas com forte odor eleitoreiro.



