Governador de Minas Gerais critica vazamentos da Vale e Justiça suspende operações
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), classificou nesta segunda-feira como "inadmissíveis" os dois vazamentos em minas da Vale registrados há duas semanas na região central do estado. Os incidentes ocorreram em Congonhas e Ouro Preto, reacendendo preocupações sobre segurança ambiental após as tragédias de Mariana e Brumadinho.
Decisão judicial suspende atividades da mineradora
Uma decisão recente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspendeu as operações que a mineradora tem em Ouro Preto até que a empresa comprove tecnicamente a estabilidade e segurança de todas as estruturas do local. A medida atendeu a pedido do governo estadual e do Ministério Público, reforçando a pressão sobre a Vale.
"Nós teremos que ter responsabilidade, aquilo que tem risco não pode operar", afirmou Zema a jornalistas após um evento. "Depois de Mariana e Brumadinho, é inadmissível acontecer fatos semelhantes, mesmo que seja um mero vazamento de água." Procurada, a Vale disse que não vai comentar a fala do governador, mas informou que as operações no local já estão interrompidas desde o dia 26 de janeiro.
Detalhes dos vazamentos e impactos ambientais
As duas ocorrências de vazamento aconteceram no dia 25 de janeiro, data que marcou os sete anos do rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho. O primeiro incidente, na mina de Fábrica, em Ouro Preto, levou cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos a córregos que alimentam os rios Maranhão e Paraopeba.
Esse vazamento gerou uma ação da Promotoria Estadual e também motivou um pedido do Ministério Público Federal (MPF) para o bloqueio de R$ 1 bilhão das contas bancárias da Vale. O segundo vazamento foi registrado na mina de Viga, em Congonhas, onde houve o comprometimento de 22 sumps, estruturas que retêm água, que receberam grande volume de sedimentos e extravasaram.
Multas e respostas da empresa
O governo estadual multou a mineradora em R$ 3,3 milhões pelos dois episódios de vazamentos. A punição, originalmente de R$ 1,7 milhão, foi aumentada diante da reincidência da mineradora em relação a uma infração ambiental de 2023. A Vale, em sua defesa, afirma que os episódios não têm relação com as barragens da empresa na região, que são monitoradas 24 horas por dia e seguem com condições de estabilidade e segurança inalteradas.
No entanto, a suspensão judicial e as críticas do governador destacam a tensão contínua entre a atividade mineradora e a proteção ambiental em Minas Gerais, um estado historicamente dependente desse setor econômico.