Cheia de rios atinge famílias no Acre: Feijó, Porto Acre e Cruzeiro do Sul em alerta
Cheia de rios atinge famílias no Acre; municípios em alerta

Cheia de rios atinge famílias no interior do Acre com prejuízos em áreas urbanas e indígenas

Três municípios do interior do Acre – Feijó, Porto Acre e Cruzeiro do Sul – seguem com rios acima da cota de transbordamento nesta quinta-feira, 5 de junho, causando inundações que afetam centenas de famílias. Segundo dados das defesas civis municipais repassados ao g1, a cheia provocou danos significativos em bairros urbanos, comunidades rurais e até em aldeias indígenas, elevando a preocupação das autoridades locais.

Feijó: Rio Envira em elevação constante com impacto direto em comunidades

Em Feijó, o Rio Envira marcou 12,22 metros na tarde desta quinta-feira, representando uma elevação de 14 centímetros em comparação com a medição da quarta-feira, 4 de junho, que registrou 12,08 metros. A cota de alerta no município é de 11 metros, enquanto a cota de transbordamento é fixada em 12 metros. Com o manancial mais de 20 centímetros acima do nível crítico, a situação preocupa a Defesa Civil, especialmente devido aos novos registros de chuva na região.

O coordenador da Defesa Civil de Feijó, Major Adriano Souza, explicou: "Com a grande quantidade de chuva de ontem para hoje, o nível do rio se elevou bastante. Estávamos na última terça, 3 de junho, com vazante, mas com as chuvas, tivemos um acumulado de 18 mm até esta quinta." Ainda segundo a Defesa Civil, quatro bairros foram atingidos e mais de 200 famílias foram impactadas entre áreas urbanas e comunidades ribeirinhas.

Em Feijó, apenas uma família precisou ser encaminhada para um abrigo montado em uma escola do município, e não há pessoas desalojadas. No entanto, a aldeia Paroá Central foi a mais atingida até o momento, com prejuízos principalmente relacionados a plantações. Na última terça-feira, a equipe da Defesa Civil realizou visitas a aldeias do Baixo Rio Envira, como Boa União, Nova Aliança, Paredão, Huni Kuin e Shanenawa, distribuindo alimentos e água para as comunidades afetadas.

Porto Acre: Rio Acre em vazante, mas ainda acima do nível crítico

Em Porto Acre, o Rio Acre marcou 13,12 metros na medição das 13h desta quinta-feira, ficando 62 centímetros acima da cota de transbordamento, que é fixada em 12,50 metros, conforme informações da Defesa Civil Municipal. Apesar disso, o manancial segue em vazante, já que na medição das 6h, o rio registrou 13,24 metros.

O coordenador da Defesa Civil, Raul Senna Assaline, destacou: "Mesmo em cota de transbordamento, hoje está em redução." Segundo ele, ainda não há pessoas desalojadas ou desabrigadas, mas ribeirinhos já foram afetados. "Dentro da cidade, apenas uma rua, que é a rua da praia, começou a ser atingida, contudo, os ribeirinhos já sofrem com a perda de plantação", completou Assaline.

Cruzeiro do Sul: Situação estável com reconhecimento federal de emergência

O nível do Rio Juruá em Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do estado, marcou 13,44 metros nesta quinta-feira, 5 de junho, situação considerada estável pela Defesa Civil Municipal. O coordenador de desastres municipal, Iranilson Neri, informou: "Estamos sem famílias em abrigo, com previsão que o rio comece a vazar a partir desta sexta-feira, 6 de junho."

Ainda nesta quinta-feira, o governo federal reconheceu a situação de emergência no município devido à cheia. Na região, a cota de transbordamento é de 13 metros. Além disso, mais de 6 mil moradores continuam afetados direta ou indiretamente pela cheia, tanto na zona urbana quanto na área rural. Pelo menos 11 bairros seguem impactados, além de 12 comunidades rurais. Outros rios da região, como Croa, Juruá-Mirim e Valparaíso, também apresentam elevação, ampliando os desafios para as autoridades locais.

A situação nos três municípios acrianos evidencia os impactos das chuvas intensas na região, com a Defesa Civil atuando para mitigar os danos e prestar assistência às famílias afetadas. O monitoramento contínuo dos níveis dos rios e a distribuição de recursos essenciais são prioridades para garantir a segurança das populações vulneráveis.