Operação Somnus da PF mira rede internacional de abuso sexual com brasileiros
Nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação de grande porte contra sete brasileiros suspeitos de integrar uma rede internacional de abuso sexual. O grupo criminoso é investigado por dopar mulheres com substâncias sedativas, filmar os estupros e compartilhar os vídeos criminosos através das redes sociais e plataformas digitais.
Mandados de prisão e busca em cinco estados
Dentre os sete investigados, três são alvos de mandados de prisão temporária, enquanto os agentes federais cumprem outras sete ordens de busca e apreensão. As ações estão sendo realizadas nos estados de São Paulo, Ceará, Bahia, Pará e Santa Catarina, com o objetivo de coletar evidências e prender os envolvidos.
A operação, batizada de Somnus, já resultou na apreensão de diversos materiais, incluindo:
- Celulares e computadores
- Dispositivos de armazenamento de dados
- Outros itens potencialmente relacionados aos crimes
Cooperação internacional com a Europol
As investigações tiveram início em 2025 através de uma cooperação entre a PF e a Europol, a agência policial da União Europeia. A atuação do grupo criminoso foi identificada em mais de vinte países, demonstrando a dimensão transnacional dos crimes.
Durante as investigações, a PF detectou mensagens trocadas pelos brasileiros que discutiam:
- O uso de medicamentos com propriedades sedativas
- Marcas comerciais de remédios anestésicos
- Possíveis efeitos colaterais que as vítimas poderiam sofrer
Crimes investigados e enquadramento legal
Entre os crimes investigados estão estupro de vulnerável e divulgação de cena de estupro. O inquérito também identificou indícios de manifestações de ódio, repulsa e objetificação de mulheres no ambiente digital, conduta que se enquadra na Lei nº 13.642/2018.
Esta não é a primeira vez que Brasil e Europa colaboram no combate à violência contra a mulher. Em setembro do ano passado, PF e Europol desmontaram um esquema de tráfico de mulheres brasileiras para exploração sexual em países da União Europeia, resultando na prisão de oito pessoas no Brasil e na Irlanda.
Naquela operação anterior, pelo menos 28 vítimas foram identificadas, com crimes sendo praticados desde 2017. O grupo também foi indiciado por lavagem de dinheiro e falsificação de documentos, mostrando um padrão de criminalidade organizada que agora se repete com a rede de abuso sexual investigada na Operação Somnus.