Vazamento químico em São Luís força evacuação de famílias e gera crise de saúde
Vazamento químico obriga retirada de famílias em São Luís

Vazamento químico em São Luís desencadeia emergência ambiental e sanitária

Um vazamento irregular de fertilizantes na Vila Maranhão, em São Luís, Maranhão, obrigou a retirada de 11 famílias de suas residências, devido a graves problemas de saúde e um forte odor químico que tomou conta da região. A situação, que já afeta moradores desde 2022, se agravou significativamente em fevereiro deste ano, quando produtos como sulfato de amônia e ureia vazaram, contaminando duas ruas do bairro.

Impactos na saúde e relatos angustiantes dos moradores

Os residentes da Vila Maranhão têm enfrentado uma série de complicações médicas decorrentes da exposição aos produtos químicos. Coceiras na pele, piora de doenças respiratórias e desconforto constante são queixas frequentes. Lucineide Catanhede, uma dona de casa local, compartilhou um relato emocionante sobre seu sobrinho asmático, que precisou ser internado em UTI devido à inalação dos gases tóxicos. "Não é fácil para uma mãe. Não é fácil para ninguém", lamentou ela, destacando o sofrimento das famílias afetadas.

Além disso, 71 famílias alegam sofrer com o despejo irregular de fertilizantes desde a instalação da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns na comunidade. O geógrafo Marcelino Farias alertou para os riscos à saúde, explicando que esses produtos podem liberar gases tóxicos que, quando inalados, causam problemas respiratórios e, com exposição prolongada, até mesmo câncer.

Contaminação ambiental e prejuízos econômicos

Os sinais de poluição na área são evidentes, com poeira constante, manchas na vegetação e água esverdeada perto das casas. Pequenos agricultores e pescadores relataram perdas significativas em suas produções. Fábio Rogério, um pescador local, contou que perdeu mais de 300 peixes em seu tanque e que suas plantações de abacaxi não frutificam mais adequadamente. "Essa poluição não está mais dando fruto nenhum no quintal", afirmou ele, ilustrando o impacto econômico direto na comunidade.

Ações judiciais e medidas emergenciais

O caso chegou ao Ministério Público, e a Justiça determinou a retirada imediata de todas as famílias da área de risco. A empresa Valen Fertilizantes e Armazéns foi notificada para fornecer água potável, equipe médica para exames toxicológicos e remover as máquinas contaminadas. As famílias evacuadas estão sendo alojadas em hotéis por pelo menos 30 dias, com custos cobertos pela empresa, enquanto um plano de contingência é elaborado.

A Defesa Civil realizou a evacuação após relatos de mal-estar e forte odor químico. Andrelina, uma moradora, descreveu a situação de pânico: "A gente foi obrigado a sair das nossas casas correndo para não pegar, que estava sufocando a gente". A empresa também enfrenta multas diárias de R$ 10 mil por descumprimento das obrigações e teve recursos de até R$ 5 milhões indisponibilizados para garantir reparações.

Investigações e responsabilidades públicas

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) está investigando a contaminação e realizou vistorias na área, coletando amostras de água para análise. Um relatório técnico indicou que o vazamento originou-se de maquinários recém-adquiridos pela empresa, armazenados sem proteção adequada, e que as chuvas arrastaram o material tóxico para fora do terreno.

Além disso, o Governo do Maranhão e a Prefeitura de São Luís têm prazos para cadastrar as famílias afetadas e iniciar o monitoramento epidemiológico. A Sema emitirá relatórios técnicos a cada 72 horas, e uma auditoria independente será contratada em até 15 dias. A empresa se recusou a se pronunciar sobre o caso, enquanto as autoridades continuam a acompanhar a situação de perto.