Campina Grande retira mais de 5 toneladas de peixes mortos do Açude Velho e planeja estação de tratamento
Peixes mortos no Açude Velho: estação de tratamento é planejada

Campina Grande retira mais de 5 toneladas de peixes mortos do Açude Velho e planeja estação de tratamento

Mais de 5 toneladas de peixes mortos foram retiradas do Açude Velho, em Campina Grande, após um fenômeno ambiental que resultou na mortandade de aproximadamente 10 toneladas de peixes neste ano. A situação alarmante levou a Prefeitura Municipal de Campina Grande, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, a desenvolver um projeto de requalificação do reservatório, que inclui a instalação de uma estação de tratamento de água.

Projeto de requalificação e tratamento da água

O coordenador do projeto, Cícero Felipe, doutor em Engenharia Civil e Ambiental pela UFCG, explicou que a iniciativa visa instalar duas estações de tratamento. Uma será colocada diretamente no Açude Velho, enquanto outra, em menor escala, funcionará na universidade para estudos e aprimoramento do processo. "São duas estações gêmeas. Uma vai servir para desenvolvimento de pesquisa e aprimoramento do tratamento na UFCG, como um protótipo, e a outra fará o tratamento real da água do açude", afirmou Felipe.

O objetivo principal não é tornar a água consumível para humanos, mas melhorar as condições para a vida aquática e reduzir problemas como odor, turbidez e coloração, que afetam a população local. "O foco é melhorar a qualidade de vida para a vida aquática e a convivência da população com o açude e seu entorno", ressaltou o professor.

Causas da mortandade e investigações em andamento

A mortandade dos peixes está sendo investigada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), Polícia Civil e Defensoria Pública da Paraíba (DPE-PB). Há suspeitas de que esgoto irregular esteja sendo despejado no reservatório, com nove imóveis já autuados em Campina Grande. No entanto, a prefeitura atribuiu o fenômeno a um processo natural chamado "Circulação Vertical Turbulenta da Coluna d’Água", comum em reservatórios do semiárido, que libera gases tóxicos do sedimento, intoxicando os peixes.

Uma perícia do Instituto de Polícia Científica (IPC) foi solicitada para investigar possível crime ambiental, mas os resultados ainda não foram divulgados. Enquanto isso, a prefeitura realizou limpezas paliativas e adquiriu equipamentos para oxigenar a água como medida temporária.

Prazo e expectativas para a solução

O prazo para a implantação da estação de tratamento está vinculado ao andamento de outros projetos da requalificação, como dragagem, drenagem e melhorias urbanísticas. Cícero Felipe espera que o processo licitatório seja iniciado ainda neste ano, com as obras ocorrendo em paralelo para acelerar os resultados. "A cidade sofre com esse problema há muitos anos, e pela primeira vez está sendo dado o pontapé inicial para um tratamento significativo", destacou.

Ele enfatizou que os efeitos serão graduais, pois questões ambientais exigem tempo. "Não é da noite para o dia que o tratamento vai fazer efeito, mas gradativamente a água vai sendo reciclada", explicou. O tratamento envolverá a retirada, tratamento e devolução da água ao reservatório, monitorada tecnicamente.

Outras pesquisas e soluções alternativas

Em paralelo, uma pesquisa independente liderada por Gabriele de Sousa Batista, doutoranda em Engenharia Civil e Ambiental pela UFCG, propõe uma solução baseada na natureza, usando fitoremediação com plantas para filtrar contaminantes e melhorar a qualidade da água. Esse projeto, vinculado ao CNPQ, já foi testado em outros locais e oferecido para ajudar no Açude Velho.

O Açude Velho, cartão-postal de Campina Grande, não abastece a cidade atualmente, mas tem valor histórico, construído durante uma seca extrema. A cidade é abastecida pelo Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão. A requalificação busca restaurar o espaço para atividades recreativas e de confraternização da comunidade.