Árvore de grande porte cai durante temporal e causa transtornos na Zona Sul de São Paulo
Uma árvore de dimensões consideráveis desabou na tarde desta terça-feira, 27 de fevereiro, na Rua Padre José de Anchieta, localizada na região de Santo Amaro, Zona Sul da capital paulista. O incidente, registrado por câmeras de segurança às 15h13, ocorreu durante um período de forte chuva e ventania que atingiu diversas áreas da cidade, provocando uma série de consequências imediatas no local.
Impacto direto e interdição da via
Com a queda, a árvore derrubou cabos de energia, entortou postes e atingiu uma padaria do outro lado da rua. A raiz da árvore estava situada em uma agência funerária vizinha ao Cemitiério de Santo Amaro, e a força do impacto arrebentou a grade do estabelecimento. A via precisou ser interditada completamente, gerando transtornos para o trânsito local e para o comércio da região.
Felizmente, nenhum veículo foi atingido e não houve registros de feridos, apesar do tamanho significativo da árvore e da violência da queda. No vídeo do ocorrido, é possível observar faíscas após o impacto, indicando um curto-circuito na rede elétrica.
Falta de energia e transtornos urbanos
O rompimento dos cabos resultou em uma interrupção no fornecimento de energia elétrica na área afetada. Semáforos deixaram de funcionar, agravando a situação do trânsito já comprometido pela interdição. Comércios e residências ficaram temporariamente no escuro, somando-se aos problemas causados pelo temporal em outras partes da cidade.
Temporal intenso provoca estado de atenção e alagamentos generalizados
O incidente com a árvore ocorreu no contexto de um temporal de forte intensidade que atingiu a capital paulista na tarde desta terça-feira. Entre 15h e 16h45, toda a cidade entrou em estado de atenção para alagamentos, conforme alerta emitido pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo.
Chuva forte com raios e ventania
Conforme imagens do radar meteorológico do CGE, a chuva forte se concentrou especialmente na Zona Sul, nas subprefeituras de M Boi Mirim e Capela do Socorro. Nas Zonas Norte e Oeste, houve precipitação moderada nas áreas do Butantã e Pirituba/Jaraguá. A Defesa Civil emitiu alerta às 15h16 informando sobre a chuva forte que se espalhava pelas Zonas Sul, Oeste e Central, com presença de raios, vento e granizo.
Segundo o órgão, 1.181 raios atingiram o solo no município de São Paulo durante a tarde. O tenente da Defesa Civil estadual, Maxwel Souza, afirmou que a chuva perdeu força, mas alertou para a possibilidade de retorno nos dias seguintes.
Alagamentos e bloqueios em vias importantes
A forte chuva causou alagamentos em diversos pontos da cidade, bloqueando temporariamente vias importantes. A Avenida 23 de Maio chegou a ter os dois sentidos interditados próximo ao Viaduto Euclides Figueiredo devido a um alagamento intransitável, com a circulação sendo normalizada pouco depois. Na Rua da Consolação, a queda de outra árvore na altura da Rua Dona Antônia de Queirós provocou o bloqueio da via no sentido Centro.
Outros pontos críticos incluíram alagamentos no Terminal João Dias, na Zona Sul, e na Avenida Guarapiranga, na região de Capela do Socorro. O CGE listou diversos locais com interdições, como a Avenida Olavo Fontoura, o Túnel São João Paulo II e a Marginal Pinheiros.
Queda no fornecimento de energia
O temporal também afetou o fornecimento de energia elétrica em larga escala. Um boletim da Enel das 16h indicava que 80.003 imóveis estavam sem luz na cidade. Às 17h, esse número havia caído para 60.828 clientes, mas ainda representava um impacto significativo para a população.
Chamados aos bombeiros e medidas de segurança
Os Bombeiros registraram um aumento considerável nas ocorrências relacionadas ao temporal. Houve 37 chamadas para quedas de árvores, duas para desabamentos e sete para enchentes, demonstrando a extensão dos danos causados pela chuva forte.
O CGE alertou que essas chuvas poderiam atuar até o início da noite, com potencial para raios e rajadas localizadas de vento, o que eleva o risco de formação de alagamentos e queda de árvores. Foram recomendadas medidas de segurança para a população:
- Evitar transitar em ruas alagadas
- Não enfrentar correntezas em caso de inundações
- Manter-se longe da rede elétrica e não parar debaixo de árvores
- Abrigar-se em casas e prédios durante a chuva forte
- Planejar viagens para evitar engarrafamentos causados por ruas bloqueadas
- Em caso de dúvida sobre vias bloqueadas, contatar a CET através do número 156
Crescimento de alagamentos e inundações na capital
Um levantamento com dados municipais mostra que os alagamentos e inundações causados pelas chuvas estão se tornando cada vez mais frequentes na cidade de São Paulo. A prefeitura faz uma distinção oficial entre os dois fenômenos: alagamento refere-se ao acúmulo de água da chuva nas ruas por falta de drenagem, enquanto inundação ocorre quando rios ou córregos transbordam.
No ano passado, foi registrado um aumento de 31% nos alagamentos e de 61% nas inundações na comparação com os registros de 2024. Especialistas apontam a necessidade de a cidade investir em alternativas para reter a água da chuva, saindo da lógica única dos piscinões e pensando em diferentes tipos de soluções de retenção.
Neste começo de verão, pelo menos quatro pessoas já morreram na região metropolitana em decorrência de acúmulos de água. No último domingo, 25 de fevereiro, um aposentado de 75 anos morreu afogado em uma enchente na Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo, destacando os riscos associados a esses eventos climáticos extremos.