Rio Juruá registra elevação crítica e amplia impacto em Cruzeiro do Sul
O Rio Juruá voltou a apresentar uma elevação preocupante nesta segunda-feira, 2 de junho, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O nível do manancial atingiu a marca de 13,49 metros às 6h da manhã, mantendo o município em alerta máximo devido ao transbordamento ocorrido no último sábado, 31 de maio.
Áreas atingidas aumentam com avanço das águas
A cota de transbordo é fixada em 13 metros na região, e o rápido avanço das águas ampliou significativamente o número de áreas afetadas. Tanto a zona urbana quanto a zona rural enfrentam os impactos da cheia, em meio a uma situação de emergência decretada pela prefeitura desde janeiro. No total, mais de 6 mil moradores estão sendo afetados, direta ou indiretamente, pelas inundações.
De acordo com o boletim mais recente da Defesa Civil Municipal, o número de bairros com impactos diretos subiu para 11. As localidades afetadas incluem:
- Remanso
- Várzea
- Olivença
- Miritizal
- Beira Rio
- Lagoa
- Manoel Terças
- Cruzeirinho
- São Salvador
- Saboeiro (Centro)
No sábado, esse quantitativo era de apenas oito bairros, demonstrando a rápida expansão do problema.
Cenário rural também se agrava com comunidades isoladas
Na área rural, a situação não é menos crítica. 12 comunidades já sofrem os efeitos da cheia, entre elas:
- Centrinho
- Tapiri
- Humaitá do Moa
- Praia Grande
- Laguinho
- Florianópolis
- Laguinho do Carvão
- Estirão do Remanso
- São Luiz
- Lago do Sacado
- Simpatia
- Ramal do Escondido
Além do Rio Juruá, outros três cursos d'água da região também transbordaram ou apresentam elevação preocupante: os rios Croa, Juruá-Mirim e Valparaíso. A cheia atinge ainda três vilas: Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa.
Defesa Civil atua sem registros de desalojados, mas com milhares afetados
Mesmo com o avanço das águas, a Defesa Civil informou que não há registro de famílias desalojadas ou desabrigadas até o momento. No entanto, o número de pessoas diretamente afetadas segue elevado: 1.650 famílias, o que representa aproximadamente seis mil moradores convivendo com prejuízos e restrições provocadas pela inundação.
O manancial havia ultrapassado a cota de transbordo de 13 metros às 6h de sábado, quando marcou 13,12 metros segundo o monitoramento da Defesa Civil municipal. Essa elevação ocorre em meio à situação de emergência decretada pela prefeitura no dia 20 de janeiro e publicada na última segunda-feira, 26 de maio.
Medidas emergenciais e histórico recente de cheias
A sequência de chuvas intensas provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural. Desde a decretação da emergência, a Defesa Civil intensificou o acompanhamento do nível do rio, realizou vistorias em áreas de risco e manteve equipes para atendimento imediato à população.
A prefeitura também mobilizou secretarias municipais para ações preventivas, com foco na orientação dos moradores, levantamento de danos e preparação de estruturas de acolhimento, caso seja necessário. A última cheia, registrada em 17 de janeiro de 2026, afetou cerca de 1.650 famílias, o que corresponde a aproximadamente 6,6 mil pessoas. Desse total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável.
Decreto de emergência autoriza medidas excepcionais
O decreto de emergência, assinado pelo prefeito Zequinha Lima, classifica o cenário como Situação de Emergência Nível II, devido à magnitude dos danos e à incapacidade do município de lidar sozinho com os prejuízos causados pela cheia. O documento autoriza, entre outras medidas:
- Mobilização total da máquina pública
- Dispensa de licitação para ações emergenciais
- Convocatória de voluntários
- Entrada forçada em imóveis para resgate ou evacuação em caso de risco iminente
- Uso temporário de propriedades particulares
- Processos de desapropriação de áreas consideradas de alto risco
A situação de emergência terá validade de seis meses, podendo ser reavaliada a qualquer momento, e prevê a busca por apoio dos governos estadual e federal para complementar os recursos necessários ao enfrentamento da cheia.