Rio Juruá recua após transbordar pela terceira vez em Cruzeiro do Sul, no Acre
Rio Juruá recua após transbordar pela terceira vez no Acre

Rio Juruá recua após transbordar pela terceira vez em Cruzeiro do Sul, no Acre

Após dois dias consecutivos acima da cota de transbordo, o Rio Juruá começou a vazar em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, registrando 12,95 metros na manhã desta quinta-feira, 26 de fevereiro. A medição foi realizada pela Defesa Civil Municipal, que estabelece a cota de transbordo em 13 metros.

Histórico recente de cheias

O manancial havia transbordado pela terceira vez em menos de dois meses na terça-feira, 24 de fevereiro, quando atingiu 13,17 metros. Na ocasião, a cheia afetou nove bairros e oito comunidades rurais, causando transtornos significativos para as famílias locais, embora a água não tenha invadido o interior das residências.

Na quarta-feira, 25 de fevereiro, o nível do rio ainda apresentava elevação, marcando 13,21 metros, o que representava um aumento de quatro centímetros em relação ao dia anterior. O quantitativo desta quinta-feira indica um recuo de 22 centímetros no nível do rio, sinalizando uma tendência de vazante.

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Padrões históricos e alertas

De acordo com o comandante do 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar do município, major Josadac Cavalcante, o período entre o fim de fevereiro e o início de março é historicamente o de maior ocorrência de inundações em Cruzeiro do Sul. "Dados históricos apontam que, nos últimos 30 anos, mais de 50% das inundações ocorreram nesse intervalo", explicou o major.

Ele acrescentou que, embora já tenham sido registradas inundações em abril, o mais comum é que elas aconteçam no final de fevereiro e nas primeiras semanas de março. Em relação à retirada de famílias, Josadac destacou que as primeiras remoções geralmente começam quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros, pois a água começa a entrar no interior das residências.

Preparação e impactos recentes

A prefeitura de Cruzeiro do Sul já preparou quatro escolas para servirem como abrigos em caso de necessidade: Marcelino Champagnat, Corazita Negreiros, Padre Arnoud e Thaumaturgo de Azevedo, localizada no bairro do Alumínio. A tendência para os próximos dias, segundo o major Josadac, depende do volume de chuvas no Vale do Juruá. Caso não ocorram precipitações significativas, a expectativa é de estabilização e vazante.

As cheias recentes têm causado impactos consideráveis na região. No dia 17 de janeiro deste ano, uma cheia afetou aproximadamente 1.650 famílias, o que corresponde a cerca de 6,6 mil pessoas. Desse total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável.

Cinco dias depois, em 22 de janeiro, o manancial saiu do cenário de alerta máximo. No entanto, em 31 de janeiro, o Rio Juruá ultrapassou novamente a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros, mantendo o município em alerta máximo, segundo a Defesa Civil Municipal.

Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente pela cheia, com 1.650 famílias enfrentando prejuízos causados pela inundação, tanto na zona urbana quanto na zona rural do município. A prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro, com a publicação oficial ocorrendo seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores.

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