Rio Acre volta a subir em Rio Branco após dois dias de vazante
Após registrar uma vazante durante dois dias consecutivos, entre a madrugada de segunda-feira, 19 de fevereiro, e a manhã de terça-feira, 20 de fevereiro, o Rio Acre voltou a subir na capital acreana. Na medição das 9h desta quarta-feira, 21 de fevereiro, o manancial marcou 14,38 metros, representando um aumento de 29 centímetros em relação à medição das 9h da terça-feira, quando registrou 14,09 metros.
O rio continua acima da cota de transbordo, que é de 14 metros, marca ultrapassada na última sexta-feira, 16 de fevereiro. Esta situação crítica afeta diretamente a população local, com impactos significativos em diversas comunidades.
Impactos da enchente na população
No total, mais de duas mil pessoas de 27 bairros estão sendo atingidas pelos impactos da segunda enchente em menos de um mês e a terceira em menos de um ano. A atualização da Defesa Civil Municipal, realizada nesta quarta-feira, 21 de fevereiro, aponta que nove famílias estão abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana, onde há 74 abrigos montados de forma emergencial.
Conforme o último boletim da Defesa Civil de Rio Branco, emitido nesta quarta-feira, a situação inclui:
- 27 bairros afetados na zona urbana
- 631 famílias atingidas na zona urbana, cerca de 2.286 pessoas
- 250 famílias atingidas na zona rural, cerca de mil pessoas
- 9 famílias no Parque de Exposições em situação de desabrigo, totalizando 21 pessoas e quatro animais
- 5 famílias desalojadas, somando 15 pessoas
- 15 comunidades rurais afetadas, incluindo Panorama, Belo Jardim, Liberdade, Catuaba e Vista Alegre
Além disso, sete famílias indígenas foram removidas para um abrigo instalado na Escola Leôncio de Carvalho, na capital. A Defesa Civil Municipal também registrou um desmoronamento no bairro Casa Nova, e uma família deve ser removida ainda nesta quarta-feira.
Oscilações do nível do rio e fatores climáticos
Na terça-feira, 20 de fevereiro, o manancial apresentou oscilações ao longo do dia. Na medição das 12h, o nível estava em 14,08 metros, a menor marca registrada no dia. Às 15h, voltou a subir, marcando 14,14 metros, e se manteve neste nível até às 18h. Às 21h, registrou 14,16 metros, e à meia-noite chegou a 14,19 metros.
Nas últimas 24 horas, foram registrados 59,20 milímetros de chuva na capital. Segundo a Defesa Civil Municipal, o volume contribuiu para a elevação do nível do rio, mas não é o único fator responsável pelo comportamento do manancial. O coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que a oscilação no nível do Rio Acre ocorre tanto em função das chuvas registradas na capital quanto pelo volume de água que chega de outras regiões do estado.
"O rio estava em declínio e voltou a subir. Se a gente somar o final da noite de segunda, a madrugada e a manhã de terça-feira, foram em torno de 107 milímetros. Isso altera o nível do rio, mas essa elevação não ocorre exclusivamente por causa da chuva. A chuva tem um grande percentual nesse aumento, mas também tem a contribuição das águas que vêm de montante", afirmou Falcão.
Acumulado de chuvas acima da média
Ainda conforme a Defesa Civil Municipal, o volume de chuva acumulado em janeiro já ultrapassa significativamente a média prevista para o mês. A previsão era de 287,5 milímetros, porém, nos primeiros 20 dias de janeiro, o acumulado é de 456,3 milímetros. Este volume representa cerca de 158,7% do total esperado para todo o mês, o que, segundo o órgão, ajuda a explicar a instabilidade no nível do Rio Acre, que tem alternado entre períodos de vazante e elevação nos últimos dias.
A Defesa Civil Municipal segue monitorando a situação de forma permanente e orienta a população das áreas atingidas a seguir as recomendações de segurança e a procurar os canais oficiais de atendimento, pelo telefone 193, em caso de necessidade.
As cotas estabelecidas para o Rio Acre na capital são:
- Atenção: 10 metros
- Alerta: 13,50 metros
- Transbordamento: 14 metros