Minas Gerais tem 3,5 mil áreas de risco com mais de 583 mil pessoas expostas a deslizamentos e inundações
Minas Gerais: 3,5 mil áreas de risco afetam mais de 583 mil pessoas

Minas Gerais mapeia 3,5 mil áreas vulneráveis a desastres naturais

Um estudo abrangente realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) revelou uma situação alarmante no estado de Minas Gerais. Até fevereiro de 2026, o órgão mapeou áreas de risco em 218 municípios, identificando um total de 3,5 mil locais suscetíveis a deslizamentos de terra e inundações. Desse montante, 767 áreas foram classificadas como de risco muito alto, enquanto 2,7 mil receberam a classificação de risco alto. A população diretamente afetada por essas condições perigosas ultrapassa 583 mil pessoas, que residem em locais com alta vulnerabilidade a desastres naturais.

Leste de Minas concentra as áreas mais críticas

A região Leste do estado emerge como a mais preocupante no levantamento. Entre os dez municípios mineiros com o maior número de áreas de risco, quatro estão localizados nessa região, destacando-se pela quantidade de pontos vulneráveis. Ipatinga lidera a lista com 99 áreas identificadas, seguida por Aimorés com 76, Resplendor com 69 e Sabinópolis com 56 áreas classificadas como de risco. Outras cidades da região, como Manhuaçu e Santa Maria de Itabira, também foram alvo de estudos complementares do SGB, que produziram cartas geotécnicas e diagnósticos específicos para essas localidades.

Ferramentas técnicas para prevenção e planejamento urbano

Além do mapeamento geral, o Serviço Geológico do Brasil desenvolveu uma série de produtos técnicos destinados a auxiliar as prefeituras na prevenção de desastres e no ordenamento territorial. Entre esses instrumentos estão:

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  • Cartas Geotécnicas de Aptidão à Urbanização para os municípios de Manhuaçu e Santa Maria de Itabira
  • Cartas de Perigo Geológico específicas para Aimorés
  • Diagnósticos detalhados da população residente em áreas de risco em Santa Maria de Itabira

Esses materiais fornecem orientações valiosas para os gestores municipais, auxiliando no planejamento de obras públicas, na regulamentação da ocupação urbana e na implementação de intervenções em áreas instáveis, especialmente durante períodos de chuvas intensas.

Alerta vermelho e tragédias recentes ampliam preocupação

O cenário de risco se torna ainda mais crítico diante das condições climáticas atuais. Nesta sexta-feira (27), todo o Leste de Minas Gerais está sob alerta vermelho de acumulado de chuva, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia. O aviso, válido até 23h59, indica grande perigo com riscos significativos de deslizamentos, enxurradas e inundações.

A gravidade da situação já se manifestou tragicamente em outras regiões do estado. Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, a prefeitura confirmou 58 mortes provocadas pelas chuvas intensas que atingem o município desde o início da semana. Com essa atualização, o número total de vítimas fatais na Zona da Mata mineira chega a 64, considerando também seis óbitos registrados em Ubá.

Diante do volume expressivo de precipitação e da saturação do solo, as autoridades reforçam as orientações de segurança para a população. Moradores de áreas de encosta ou próximas a cursos d'água devem ficar atentos a sinais de alerta como rachaduras no terreno, muros inclinados e aumento repentino do nível dos rios. Em caso de qualquer indicativo de risco iminente, a recomendação é acionar imediatamente a Defesa Civil para tomar as medidas de proteção necessárias.

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