França decreta alerta vermelho para enchentes após chuvas 'excepcionais' da tempestade Nils
O governo francês colocou três departamentos em alerta vermelho para enchentes nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, após chuvas classificadas como "excepcionais" associadas à tempestade Nils provocarem inundações em larga escala no sudoeste e oeste do país. Rios importantes transbordaram, casas foram alagadas, vilarejos ficaram isolados e a circulação foi interrompida em diversas regiões.
Situação crítica em múltiplas regiões
Segundo a agência meteorológica nacional Météo-France, o nível máximo de alerta foi mantido para os departamentos de Gironde, Lot-et-Garonne e Maine-et-Loire. O número de departamentos sob alerta laranja caiu de 14 para 12, mas as autoridades afirmam que a situação segue crítica e requer atenção constante.
No sudoeste francês, o rio Garonne saiu do leito após dias sucessivos de precipitação intensa. De acordo com o serviço francês de monitoramento de cheias Vigicrues, há "inundações prejudiciais" a jusante de Agen, com impactos relevantes nas regiões de Marmande e Gironde. Embora os níveis tenham recuado levemente após o pico no fim de semana, voltaram a subir na parte inferior do curso do rio.
Previsões preocupantes para o oeste
No oeste do país, a expectativa é de cheias significativas no rio Maine, incluindo na cidade de Angers, e durante a noite na região de Ponts-de-Cé, às margens do Loire. Os níveis devem continuar subindo ao longo de quarta-feira, aumentando os riscos para populações ribeirinhas e infraestruturas locais.
Especialistas atribuem a gravidade do quadro não apenas ao volume de chuva, mas à saturação extrema do solo. Segundo a diretora do Vigicrues, Lucie Chadourne-Facon, a sucessão de frentes chuvosas foi "excepcional", deixando o terreno incapaz de absorver novos volumes. Em algumas áreas, precipitações adicionais de apenas 20 a 30 milímetros já seriam suficientes para provocar novas inundações.
Governo prepara medidas emergenciais
A ministra da Transição Ecológica, Monique Barbut, afirmou que o governo declarará estado de emergência assim que as águas baixarem, medida que permite acelerar indenizações de seguros às vítimas. Após visitar a região de Gironde, ela disse que eventos extremos como esse tendem a se tornar mais frequentes.
"Quem acompanha o clima vem alertando há muito tempo que isso aconteceria com mais regularidade. De certa forma, o amanhã já chegou", declarou a ministra à emissora LCI, destacando a urgência de medidas adaptativas.
Conexão com mudanças climáticas
As enchentes na França ocorrem após uma sequência de tempestades atingir também Portugal e Espanha, deixando ao menos 16 mortos e milhares de desalojados na Península Ibérica, segundo balanços das autoridades locais. Embora ainda não haja estudos de atribuição específicos sobre este episódio, cientistas destacam a relação física bem estabelecida entre aquecimento global e aumento da capacidade do ar de reter umidade, o que intensifica eventos de chuva extrema.
Nesta terça-feira, conselheiros científicos da União Europeia recomendaram que o continente se prepare para um cenário de aquecimento de até 3°C até o fim do século, acima da meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C ou bem abaixo de 2°C, conforme estabelecido no Acordo de Paris de 2015. A estratégia nacional de adaptação da França, publicada no ano passado, já considera a possibilidade de um aquecimento de até 4°C.
As autoridades francesas continuam monitorando a situação de perto enquanto buscam minimizar os impactos das inundações e preparar respostas adequadas para futuros eventos climáticos extremos.