Famílias desabrigadas no Acre aguardam retorno seguro apesar de Rio Acre abaixo da cota
Desabrigados no Acre aguardam retorno seguro após cheias

Famílias desabrigadas no Acre aguardam condições seguras para retornar às casas

Mesmo com o Rio Acre registrando níveis abaixo da cota de transbordo, famílias que tiveram suas residências alagadas durante a segunda cheia em menos de um mês continuam abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco. A espera é por condições seguras que permitam o retorno aos lares, conforme determinação da Defesa Civil Municipal.

Incerteza e rotina no abrigo

Entre os desabrigados estão moradores dos bairros Habitasa e Ayrton Senna, duas das áreas mais impactadas pela enchente. No abrigo, as famílias recebem alimentação e atendimento básico, mas a rotina é marcada pela espera e incerteza em relação ao comportamento do rio.

O artesão José França, morador do Habitasa, está no local com a família desde o resgate realizado pela Defesa Civil. Ele relata que conseguiu retirar parte dos móveis antes da água subir, mas enfrenta a angústia do retorno incerto.

“A gente ligou para a Defesa Civil, eles foram lá e fizeram a retirada da gente. Estamos aqui com alguns móveis que conseguimos trazer e outros estão guardados. A situação não é fácil”, afirmou José.

Realidade financeira e vulnerabilidade

Esta é a segunda vez que a família de José enfrenta uma enchente. Ele explica que a realidade financeira é um dos fatores que levam muitas famílias a residirem em áreas mais vulneráveis.

“A gente mora nesses lugares por causa das condições. São áreas mais baratas e acabamos passando por isso por não ter outra opção”, pontuou o artesão.

No bairro Ayrton Senna, na Baixada da Sobral, o autônomo Wenderson Teixeira também teve a casa atingida pela água. Ele descreve que o nível chegou próximo à altura da cintura dentro da residência, causando prejuízos materiais.

“Perdi algumas coisas, meu colchão ficou todo sujo de barro. É uma situação difícil para quem vive assim”, contou Wenderson.

Critérios para o retorno

De acordo com a Defesa Civil Municipal, as famílias só devem deixar os abrigos quando o Rio Acre atingir a marca de 10 metros, considerada segura para o retorno às áreas afetadas. Esse protocolo visa garantir a segurança dos moradores diante das oscilações do manancial.

Níveis do Rio Acre e chuvas intensas

Na medição das 18h desta segunda-feira (26), o rio marcou 12,81 metros, ficando 69 centímetros abaixo da cota de alerta, que é de 13,50 metros. O manancial vinha em vazante desde sábado (24), quando deixou a cota de transbordo, mas voltou a subir após as chuvas registradas no domingo (25).

Somente entre o fim da tarde e a noite de domingo, foram registrados 70,8 milímetros de chuva, contribuindo para a nova elevação do rio. Além disso, em janeiro, o volume de chuva acumulado em Rio Branco já chegou a 572,7 milímetros, quase o dobro da média esperada para o mês, que é de 287,5 milímetros, segundo a Defesa Civil Municipal.

Impactos da cheia em números

Esse cenário de chuvas intensas tem provocado oscilações frequentes no nível do Rio Acre, mantendo as equipes em estado de monitoramento. Conforme a Defesa Civil de Rio Branco, os impactos incluem:

  • 27 bairros afetados na zona urbana;
  • 633 famílias atingidas na zona urbana, o que corresponde a cerca de 2.286 pessoas;
  • 250 famílias atingidas na zona rural, aproximadamente mil pessoas;
  • 10 famílias seguem abrigadas no Parque de Exposições, totalizando 25 pessoas e 11 animais;
  • 15 comunidades rurais impactadas.

Além disso, sete famílias indígenas foram removidas para um abrigo instalado na Escola Leôncio de Carvalho. As comunidades da área rural mais afetadas pela cheia incluem Panorama, Belo Jardim, Liberdade, Catuaba e Vista Alegre.

Orientações para resgate

O órgão reforça que famílias que necessitarem de resgate durante o período de cheia devem entrar em contato pelo 193, número do Corpo de Bombeiros. Após o chamado, as equipes realizam vistoria no local e acionam os procedimentos de retirada, se necessário.

A situação permanece instável e sob vigilância, com as autoridades alertando para a importância de seguir as orientações de segurança até que o Rio Acre atinja níveis considerados seguros para o retorno das famílias às suas residências.