Temporal provoca estragos em Cristina (MG) e leva à decretação de situação de emergência
As chuvas intensas voltaram a causar sérios danos no Sul de Minas Gerais, com a cidade de Cristina sendo a mais afetada pelo forte temporal que atingiu a região na noite de segunda-feira, 26 de agosto. A Prefeitura de Cristina decretou situação de emergência após o evento climático, que durou cerca de 50 minutos e provocou uma série de estragos em diversos pontos do município.
Esforços de limpeza e atendimento às famílias afetadas
Ao longo da terça-feira, 27 de agosto, moradores, equipes da Defesa Civil e servidores municipais trabalharam intensamente para atender as famílias impactadas, limpar áreas tomadas pela lama e contabilizar os prejuízos materiais. Em vários bairros, os residentes passaram o dia tentando recuperar o que sobrou de seus pertences após a passagem da enxurrada.
No caso de Benedita Aparecida Ramos, moradora às margens de um rio, praticamente nada pôde ser salvo. Móveis, cama e sofá foram colocados em um caminhão para descarte. “A gente passou a noite inteirinha tirando lama de dentro de casa e jogando pra área de fora, pra ver se conseguia pelo menos ficar em casa. Foi muita lama, muita água mesmo”, relatou a costureira, emocionada com a situação.
Pontos críticos e formação de tromba d’água
Segundo a Defesa Civil, a chuva de aproximadamente 50 minutos foi suficiente para causar danos em pelo menos cinco pontos da cidade. Uma tromba d’água se formou no bairro Glória, na parte alta do município, ampliando consideravelmente a força da enxurrada e agravando os estragos.
Na rua Marechal Deodoro da Fonseca, considerada a mais atingida, casas próximas ao Ribeirão do Bode foram completamente tomadas pela água. O grande volume de chuva fez o córrego transbordar rapidamente, invadindo residências e causando destruição.
Desabrigados, desalojados e isolamento de comunidades
De acordo com a Defesa Civil, quatro pessoas ficaram desabrigadas e tiveram que ser levadas para pousadas pela administração municipal. Outras 16 pessoas ficaram desalojadas e foram acolhidas em casas de parentes. José Dimas da Cruz, coordenador da Defesa Civil de Cristina, explicou: “Tem muitas pessoas que não têm como ir para casa de parentes. A prefeitura vai ofertar o aluguel social para essas pessoas. O mais importante são as vidas. A assistência social está cadastrando todas as famílias afetadas e estamos contabilizando o restante dos prejuízos”.
O temporal provocou a queda de mais de 20 barreiras, deixando comunidades rurais isoladas. Houve ainda quedas de árvores, deslizamentos de terra, interdição de estradas e ruas, além da invasão de lama em diversos imóveis. Em alguns pontos, muros caíram e erosões se formaram. Apesar dos transtornos, não há registro de feridos.
Interrupção no abastecimento de água e apoio regional
O abastecimento de água foi interrompido em parte da cidade, e caminhões-pipa de municípios vizinhos foram enviados para auxiliar no fornecimento emergencial. O agente regional da Defesa Civil Estadual, Vanderlan Domingos Ribeiro, acompanhou os trabalhos e destacou: “Assim que tomamos ciência do desastre, por volta das 20h, começamos a orientar o município. Hoje cedo deslocamos uma equipe para apoiar nas ações de resposta, que incluem descarte, contabilização de prejuízos, atendimento a desabrigados e viabilização de recursos para restabelecer a normalidade”.
Prejuízos no comércio e na indústria local
O setor produtivo também foi severamente impactado. Uma fábrica de luvas, que emprega mais de 100 funcionários, perdeu grande parte da matéria-prima devido à inundação. Edson Wander, gerente da empresa, afirmou: “Ainda não temos uma estimativa exata. Algumas coisas podem ser recuperadas, mas precisamos de dois a três dias para saber o tamanho do prejuízo”.
Perto da fábrica, a casa da professora Margarida da Luz também foi tomada pela lama, com o nível da água chegando a cerca de 1,20 metro. “A água atravessou a ponte e entrou pela grade da minha casa. Veio com tudo, juntou com a água do rio e derrubou o muro. Foi um estrago enorme”, contou ela, descrevendo a força da enxurrada.
Solidariedade entre vizinhos e preocupação com novas chuvas
Em meio à tragédia, moradores se organizaram para ajudar uns aos outros. O comerciante Lucas Henrique Martins dedicou o dia a auxiliar na limpeza das casas afetadas. “Infelizmente, os vizinhos sempre passam por isso. Há uns 10 anos aconteceu de novo, mas desta vez foi pior. Estamos aqui para ajudar no que for preciso”, afirmou, demonstrando o espírito comunitário.
No bairro da Gruta, próximo à sede da Polícia Militar, a água invadiu casas pelos quartos e saiu pela sala. Benedito José Oliveira, bombeiro civil, expressou sua preocupação: “A preocupação maior é com os idosos, porque é muita lama. E agora, com previsão de mais chuva, o receio aumenta”.
Até o início da noite de terça-feira, o fornecimento de água ainda não tinha sido restabelecido em parte da cidade. A prefeitura informou que as equipes permanecem em alerta, monitorando o risco de novas chuvas e trabalhando no restabelecimento dos serviços essenciais para a população.