Chuvas em Juiz de Fora causam R$ 50 milhões em prejuízos ao comércio e deixam cenário crítico
Chuvas em Juiz de Fora: R$ 50 milhões em prejuízos ao comércio

Chuvas devastadoras em Juiz de Fora causam prejuízos milionários ao comércio local

Os temporais que atingiram Juiz de Fora entre 23 de fevereiro e 4 de março deixaram um rastro de destruição no setor comercial da cidade. Segundo estimativa do Sindicato Empresarial do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio), os prejuízos já alcançam a impressionante marca de R$ 50 milhões. A tragédia climática, que vitimou 65 pessoas e deixou mais de 8.500 desabrigados e desalojados no município, afetou diretamente mais de 250 lojistas, conforme dados divulgados na quinta-feira (5) no Relatório de Impacto Econômico da entidade.

Levantamento detalhado revela gravidade da situação

O estudo, realizado por meio de questionários com 277 empresários e comerciantes, detalha os danos estruturais e financeiros enfrentados pelo setor após as intensas chuvas. As áreas mais afetadas incluem ruas da região central e bairros próximos, como Floriano Peixoto (parte baixa), Batista de Oliveira, Marechal Deodoro (parte baixa), rua Francisco Bernardino e avenida Brasil, na região da Beira-Rio. O calçadão da rua Halfeld, tradicional ponto comercial da cidade, foi um dos locais onde o comércio mais sofreu com as inundações.

Cenário especialmente crítico para pequenas empresas

A pesquisa aponta que o impacto é mais severo para os pequenos negócios. Estabelecimentos de pequeno porte representam 81,5% da amostra de empresas afetadas, enquanto o setor de varejo concentra 75,9% dos negócios atingidos. Os danos são significativos:

  • 60% dos estabelecimentos tiveram danos graves, com perda de estoques, móveis e equipamentos
  • 12,7% registraram danos leves
  • 3,6% relataram perda total ou danos estruturais nos imóveis

O prejuízo financeiro também é alarmante: 63,6% dos comerciantes estimam perdas de até R$ 50 mil, enquanto 14,5% dos entrevistados calculam prejuízos entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. A recuperação é dificultada pela falta de proteção financeira, já que 81,8% dos lojistas não possuem seguro empresarial. Além disso, 83,6% dos estabelecimentos funcionam em imóveis alugados, o que aumenta a pressão sobre o orçamento dos empresários.

Demandas urgentes e risco de fechamento de empresas

Os comerciantes apontam necessidades prioritárias para enfrentar a crise:

  1. Liberação de crédito bancário (72,7% dos entrevistados)
  2. Orientação jurídica (10,9%)
  3. Reforço na segurança (9,1%)
  4. Limpeza e retirada de entulho (7,3%)
  5. Materiais de limpeza (5,5%)

Conforme o levantamento, 65,5% dos empresários identificam o acesso ao crédito como o principal desafio administrativo neste momento. Sem medidas emergenciais, o risco de encerramento das atividades aumenta consideravelmente:

  • 40% dos empresários temem endividamento severo
  • 16,4% admitem risco de fechar as portas
  • 14,5% afirmam que podem realizar demissões

No total, aproximadamente 30% dos negócios enfrentam risco direto de fechamento ou redução de funcionários, o que agrava ainda mais a situação econômica da cidade já devastada pelas chuvas.