Juiz de Fora decreta calamidade após chuvas que deixam 28 mortos e mobilizam campanha de doações
Chuvas em Juiz de Fora: 28 mortos e campanha de doações

Juiz de Fora decreta situação de calamidade após chuvas devastadoras

O município de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, decretou estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira (24), em resposta às fortes chuvas que causaram uma tragédia na região. Até o momento, os temporais já resultaram em 28 mortes, 214 desabrigados e 446 desalojados, com famílias perdendo casas, móveis, roupas e alimentos para as enxurradas.

Campanha de solidariedade mobiliza arrecadação de doações

Em uma iniciativa conjunta, a TV Integração, a Prefeitura de Juiz de Fora, o Grupo Bahamas e o Mesa Brasil Sesc lançaram uma campanha para arrecadar alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal, materiais de limpeza, roupas e cobertores. A população pode contribuir deixando suas doações em carrinhos identificados em lojas Bahamas de Juiz de Fora, Ubá, Visconde do Rio Branco, Uberlândia, Uberaba, Divinópolis e Araxá.

Itens de maior necessidade incluem alimentos de pronto consumo, kits de higiene e agasalhos, visando oferecer suporte digno às famílias atingidas. Esta ação reforça um propósito comum entre poder público, iniciativa privada, terceiro setor e comunicação: acolher a população e mobilizar uma corrente de solidariedade.

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Pontos de acolhimento e destinação das doações

As doações serão destinadas às frentes de assistência social das prefeituras locais. Em Juiz de Fora, três escolas municipais foram disponibilizadas como centros de acolhimento: E.M. Amélia Pires (Monte Castelo), E.M. Professor Nilo Camilo Ayupe (Paineiras) e E.M. Murilo Mendes (Grajaú), com possibilidade de expansão conforme demanda monitorada pela Defesa Civil.

Em Ubá, as arrecadações serão encaminhadas para a Escola Municipal Doutor José Campomizzi Filho – CAIC, na Vila Regina. Já em Visconde do Rio Branco, o ponto central de recebimento é a Câmara Municipal, localizada na Galeria Eden Clube.

Impactos das chuvas e buscas por desaparecidos

As chuvas intensas, que começaram no fim da tarde de segunda-feira, provocaram transbordamentos de rios, deslizamentos de terra e bloqueios de vias. Em Juiz de Fora, este é o fevereiro mais chuvoso da história, com 584 milímetros acumulados, o dobro do esperado para o mês. Cerca de 600 famílias devem deixar suas casas, com bairros como Parque Burnier e Cerâmica sendo severamente afetados.

O Corpo de Bombeiros realiza buscas por pelo menos 37 desaparecidos, incluindo mais de cinco crianças no Parque Burnier, onde 12 casas desabaram. Em Ubá, sete pessoas morreram e três estão desaparecidas após o transbordamento do Ribeirão Ubá, que causou a maior inundação dos últimos anos na cidade.

Medidas emergenciais e repercussão política

Além de Juiz de Fora, o prefeito de Matias Barbosa também decretou estado de calamidade pública para viabilizar recursos federais e agilizar ações emergenciais. A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), declarou luto de três dias e descreveu o evento como "o dia mais triste do meu governo".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Romeu Zema (Novo) expressaram solidariedade, com Zema decretando luto oficial de três dias em Minas Gerais. O Ministério da Defesa foi acionado para apoiar as operações, incluindo o emprego de helicópteros em ações humanitárias.

As equipes de resgate, incluindo bombeiros, Defesa Civil e Polícia Militar, continuam atuando em mais de 40 chamadas emergenciais, focando em desobstrução de vias e atendimento às vítimas. A situação permanece crítica, com previsão de mais chuvas para a região.

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