Chuva intensa atinge São Paulo e coloca Zona Leste em estado de atenção para alagamentos
Uma forte chuva atingiu a cidade de São Paulo nesta quinta-feira, dia 29, deixando a Zona Leste em estado de atenção para alagamentos, conforme alerta emitido pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da prefeitura. O órgão municipal informou que áreas de precipitação, formadas pela combinação do calor intenso e da entrada da brisa marítima, começaram a atuar de forma isolada em diversos pontos da capital paulista.
Monitoramento meteorológico indica chuvas moderadas na região leste
Imagens do radar meteorológico do CGE mostraram chuva moderada com pontos de intensidade elevada especialmente na Zona Leste de São Paulo. As subprefeituras mais afetadas incluem Vila Prudente, São Mateus e Mooca, onde os acumulados pluviométricos têm preocupado as autoridades. "As chuvas têm lento deslocamento, portanto, há potencial para formação de alagamentos e transbordamentos", afirmou o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas em comunicado oficial.
O órgão ainda destacou que as próximas horas seguem com tempo instável na cidade, com previsão de novas áreas de chuva atuando em outras regiões além da Zona Leste. Esta situação climática se repete após um episódio semelhante ocorrido na quarta-feira, dia 28, quando as precipitações já haviam provocado alagamentos e deixado carros ilhados pelo segundo dia consecutivo.
Volumes expressivos de chuva registrados na capital paulista
Em relação aos acumulados pluviométricos, os maiores volumes foram registrados justamente na Zona Leste da capital, de acordo com dados do CGE e da rede telemétrica do Alto Tietê. Pelas estações meteorológicas automáticas do órgão municipal, os principais índices ocorreram em:
- Itaim Paulista – Vila Curuçá: 30,2 mm
- São Miguel Paulista – Vila Jacuí: 29,6 mm
- Parelheiros – Rodoanel: 22,6 mm (Zona Sul)
Já os dados da rede telemétrica do Alto Tietê apontaram volumes ainda mais elevados, todos em pontos da zona leste, com destaque para:
- Córrego Itaim, na Avenida Marechal Tito: 69,6 mm
- Córrego Tijuco Preto, também na Avenida Marechal Tito: 63,8 mm
- Rio Tietê, no Jardim Romano: 60,6 mm
Outros registros expressivos foram observados nos núcleos Jardim Helena (49,0 mm) e Itaim Biacic (47,6 mm), reforçando o cenário de chuvas intensas concentradas na região leste da cidade.
Alagamentos e inundações se tornam cada vez mais frequentes em SP
Um levantamento exclusivo com dados municipais mostra que os alagamentos e as inundações causados pelas chuvas estão se tornando cada vez mais frequentes na capital paulista. A prefeitura faz uma separação técnica entre os dois fenômenos:
- Alagamento: acúmulo de água da chuva nas ruas, principalmente em locais mais baixos, por falta de drenagem ou escoamento adequado.
- Inundação: quando o excesso de chuva faz um rio ou córrego transbordar, cobrindo as áreas do entorno com água.
Apesar da diferença conceitual, ambos os problemas apresentaram crescimento significativo no ano passado na cidade de São Paulo. Os registros indicam uma alta de 31% nos alagamentos e de 61% nas inundações quando comparados com os dados de 2024, evidenciando um agravamento da situação.
Especialista aponta necessidade de investimentos em infraestrutura
Para o professor Anderson Kazuo Nakano, da Universidade Federal de São Paulo, a cidade precisa investir urgentemente em alternativas para reter a água da chuva de maneira mais eficiente. "Sair dessa lógica e dessa solução única dos piscinões, pensar diferentes tipos de lagoas e formas de retenção de águas da chuva nos rios, nos córregos, em pontos mais altos da cidade", defende o especialista.
Nakano ainda alerta que é necessário evitar o lançamento de grandes volumes de água nas ruas e avenidas, principalmente em áreas de ladeira, onde as enxurradas ganham força e energia suficiente para arrastar carros e colocar vidas em risco. Só nesse começo de verão, pelo menos quatro pessoas já morreram na região metropolitana em decorrência desses acúmulos de água.
No último domingo, dia 25, o funcionário público aposentado Romeu Maccione Neto, de 75 anos, morreu afogado em uma enchente na rua onde morava, na Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo. Este trágico episódio reforça a urgência de medidas preventivas e de infraestrutura para enfrentar os eventos climáticos extremos que têm se tornado cada vez mais comuns na maior cidade do país.