A Defesa Civil Municipal de Rio Branco divulgou que o Rio Acre apresentou uma vazante nesta sexta-feira (23), com o nível medindo 14,51 metros às 9h. Esse valor representa um recuo de 18 centímetros em relação à medição de quinta-feira (22), quando o manancial registrou 14,69 metros no mesmo horário.
Cenário de instabilidade persiste na capital acreana
Apesar da descida observada, o nível do rio continua acima da cota de transbordo, estabelecida em 14 metros. Essa situação se mantém há aproximadamente uma semana em Rio Branco, desde que a marca foi ultrapassada na última sexta-feira (26). O manancial começou a recuar no fim da tarde de quinta-feira (22), após atingir a maior marca do dia de 14,71 metros às 15h.
Impactos significativos na população local
Mais de duas mil pessoas de 27 bairros estão sendo afetadas pelos impactos desta enchente, que é a segunda em menos de um mês e a terceira em menos de um ano. Conforme o boletim da Defesa Civil emitido nesta sexta (23), os dados detalhados incluem:
- 633 famílias atingidas na zona urbana, totalizando cerca de 2.286 pessoas
- 250 famílias atingidas na zona rural, somando aproximadamente mil pessoas
- 10 famílias abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana, com 25 pessoas e onze animais em situação de desabrigo
- 6 famílias desalojadas, envolvendo 15 pessoas
- 15 comunidades rurais afetadas, incluindo Panorama, Belo Jardim, Liberdade, Catuaba e Vista Alegre
Além disso, sete famílias indígenas foram removidas para um abrigo instalado na Escola Leôncio de Carvalho na capital.
Chuvas intensas contribuem para a instabilidade
Nas últimas 24 horas, foram registrados 2 milímetros de chuva em Rio Branco. A Defesa Civil destacou que o volume acumulado de chuva em janeiro já ultrapassa significativamente a média prevista para o mês. Enquanto a previsão era de 287,5 milímetros, nos primeiros 20 dias de janeiro o acumulado chegou a 456,3 milímetros.
Esse volume representa cerca de 158,7% do total esperado para todo o mês, o que, segundo o órgão, ajuda a explicar a instabilidade no nível do Rio Acre. O tenente-coronel Claúdio Falcão, coordenador da Defesa Civil, explicou que a oscilação ocorre tanto devido às chuvas registradas na capital quanto pelo volume de água que chega de outras regiões do estado.
"Essa elevação não ocorre exclusivamente por causa da chuva. A chuva tem um grande percentual nesse aumento, mas também tem a contribuição das águas que vêm de montante", afirmou Falcão.
Contexto histórico das cheias recentes
O Rio Acre atingiu a cota de 15 metros pela segunda vez no dia 28 de dezembro de 2025, quando marcou 15,04 metros na medição do meio-dia. Essa marca não era superada desde março do mesmo ano. No dia seguinte, 29 de dezembro, o nível chegou a 15,41 metros, afetando mais de 20 mil pessoas.
A atual enchente em Rio Branco reflete um padrão de eventos climáticos extremos, com o rio alternando entre períodos de vazante e elevação nos últimos dias. As autoridades continuam monitorando a situação de perto para mitigar os impactos sobre a população vulnerável.