Mãe aguarda filha e três netos: busca por desaparecidos em Juiz de Fora após deslizamento
Busca por desaparecidos em Juiz de Fora após deslizamento

Tragédia em Juiz de Fora: famílias aguardam notícias de desaparecidos após deslizamento

O Parque Burnier, um dos locais mais afetados pelas fortes chuvas que atingem a Zona da Mata mineira, tornou-se cenário de uma busca desesperada por familiares e amigos desaparecidos. Estimativas indicam que cerca de quinze pessoas podem estar soterradas na região, muitas delas crianças, após um deslizamento de terra de grandes proporções.

Angústia de uma avó: Maria Helena espera por quatro familiares

Entre os rostos marcados pela exaustão e pela dor, destaca-se o de Maria Helena Batista, que aguarda notícias da filha e de três netos soterrados sob os escombros. "A minha filha está lá debaixo dos escombros, o meu neto está debaixo dos escombros, outro netinho pequeno está debaixo dos escombros, a minha neta está debaixo dos escombros", relata a avó, em meio à espera agonizante. Ela acrescenta que outras três pessoas também permanecem desaparecidas no local, onde apenas uma criança foi resgatada com vida até o momento.

Resgate intensificado com apoio estadual e voluntários

Equipes do governo de Minas Gerais foram enviadas para reforçar os trabalhos de busca, que se estendem por horas extenuantes. Doze casas foram completamente destruídas pelo deslizamento, e até o início da tarde de ontem, os Bombeiros confirmaram o salvamento de dez pessoas e a recuperação de cinco corpos. Durante a cobertura jornalística, mais dois corpos foram localizados, aumentando o número de vítimas fatais.

O esforço de resgate contou com a solidariedade de voluntários, como Daniela Ramos, que veio de um bairro vizinho para auxiliar nas operações. Ela socorreu uma mulher com ferimentos na perna, que posteriormente recebeu alta hospitalar, trazendo um alívio momentâneo em meio à tragédia.

Impacto sem precedentes na comunidade local

Moradores do Parque Burnier descrevem a situação como "um estrago nunca antes visto". Benedina Fonseca, que teve sua casa interditada pela Defesa Civil, passou a noite em claro acompanhando o resgate dos vizinhos e afirmou que, em quarenta anos residindo no bairro, nunca testemunhou uma catástrofe de tal magnitude. O Rio Paraibuna, que saiu de sua calha, mantém o nível d'água no limite das pontes, agravando o cenário de destruição.

Autoridades alertam para construções em áreas de risco

O vice-governador de Minas Gerais, Matheus Simões (PSD), esteve no local e enfatizou a necessidade de revisar as construções em áreas vulneráveis. Enquanto isso, a solidariedade se manifesta através de doações de mantimentos, roupas e produtos de higiene, organizadas por moradores como Cleuber Silveira Mendes e Breno Galdino Silva, que enfrentaram a chuva para ajudar os desabrigados.

Balanço oficial da tragédia na Zona da Mata

Segundo as autoridades, a tragédia já resultou em 24 mortos na Zona da Mata mineira, sendo dezoito em Juiz de Fora e seis em Ubá. Em Juiz de Fora, há 47 desaparecidos, 200 desabrigados e 400 desalojados. A Defesa Civil local registrou 265 ocorrências de deslizamento, evidenciando a extensão dos danos causados pelas chuvas intensas.

Maria Helena, assim como outras famílias, enfrenta uma das noites mais tristes de sua vida, abrigada no salão de uma igreja evangélica local, enquanto a comunidade se une na esperança de encontrar sobreviventes e prestar apoio aos afetados.