Brumadinho: sete anos de luta por memória e justiça após tragédia da barragem
Neste domingo (25), a cidade de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vive um dia de homenagens e protestos para marcar os sete anos do rompimento da barragem da Vale. O desastre, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, deixou um saldo trágico de 270 mortes, incluindo duas mulheres grávidas, e despejou 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração.
Ato no letreiro reforça cobrança por justiça
Familiares e sobreviventes se reuniram a partir das 11h em um ato no letreiro do município, onde fotos das vítimas formam o nome Brumadinho. O evento não apenas presta homenagem, mas também protesta contra a demora judicial no caso. Para os participantes, lembrar a tragédia é fundamental para evitar que se repita.
O processo criminal deve começar em fevereiro deste ano, com a oitiva de testemunhas, e tem previsão de seguir até maio de 2027. Em janeiro de 2023, o Ministério Público Federal denunciou 16 pessoas, além da Vale e da consultora Tüv Süd. A Justiça Federal aceitou a denúncia, tornando todos acusados réus.
Memorial Brumadinho completa um ano com programação especial
O Memorial Brumadinho, que celebra seu primeiro aniversário, promoveu atividades culturais e educativas. Às 14h30, uma visita guiada gratuita abordou os fatos que antecederam o rompimento e suas consequências. Os participantes conheceram:
- O bosque com 272 ipês amarelos, plantados em homenagem a cada vítima fatal.
- O espaço meditativo e a escultura-monumento.
- A drusa de cristais e duas salas de exposição.
- O espaço dedicado à guarda dos segmentos corpóreos das vítimas.
- O mirante, de onde é possível ver os restos da Mina Córrego do Feijão e parte do caminho da lama.
Às 16h, a Orquestra Opus se uniu a Fernanda Takai em um concerto com repertório inédito, incluindo canções como "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo" e "The Long and Winding Road", proporcionando um momento de reflexão.
Buscas encerradas, mas duas pessoas ainda não foram encontradas
Após sete anos, o trabalho de buscas dos bombeiros foi oficialmente encerrado, com 100% do rejeito vistoriado na área da tragédia. A operação agora segue para a fase administrativa, com análise da Polícia Civil. No entanto, duas pessoas permanecem desaparecidas:
- Tiago Tadeu Mendes da Silva, engenheiro mecânico.
- Nathália de Oliveira Porto Araújo, estagiária.
Contexto histórico e andamento judicial
Vale lembrar que, três anos antes de Brumadinho, o rompimento da barragem de Mariana, também em Minas Gerais, matou 19 pessoas e gerou o primeiro alerta sobre os riscos das barragens a montante. Em Brumadinho, as investigações apontam que a Tüv Süd emitiu declarações de estabilidade com fator de segurança abaixo do recomendado, e a Vale teria ciência da situação.
Em março de 2024, o TRF6 concedeu habeas corpus ao ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, suspendendo a ação penal contra ele. Isso reduziu o número total de réus para 17. O MPF recorreu ao STJ, que começou a analisar o caso em setembro de 2025, com dois ministros já votando a favor da reabertura do processo.
Posicionamento das empresas envolvidas
Em nota, a Tüv Süd afirmou que "não tem responsabilidade legal pelo rompimento" e que as declarações de estabilidade foram legítimas. A Vale, por sua vez, declarou que não comenta ações judiciais em andamento.
Além dos atos, ocorreu até às 14h a sétima edição da Romaria pela Ecologia Integral a Brumadinho, reforçando o apelo por justiça e prevenção. A comunidade segue unida na busca por respostas e na preservação da memória das vítimas.