Bombeiros de Minas Gerais encerram buscas após sete anos da tragédia em Brumadinho
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais anunciou oficialmente o encerramento das buscas pelas vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, localizada em Brumadinho. A confirmação ocorreu neste domingo (25), exatamente sete anos após o desastre que chocou o Brasil e o mundo. A informação foi divulgada pelo porta-voz da corporação, tenente Henrique Barcellos, em entrevistas concedidas à TV Bandeirantes e à rádio Itatiaia.
Operação de busca finalizada após verificação completa dos rejeitos
Segundo o tenente Barcellos, as equipes finalizaram a verificação dos rejeitos da barragem no dia 23 de dezembro. A vistoria de 100% do volume da lama foi concluída antes do Natal, e agora os bombeiros em campo estão em fase de desmobilização. Apesar do encerramento das buscas, a operação Brumadinho continua ativa por outros braços do governo de Minas Gerais, afirmou o porta-voz. Ele destacou que a polícia civil mantém o trabalho de análise e perícia nos segmentos encontrados durante as operações.
Duas vítimas ainda desaparecidas e detalhes sobre a identificação
Das 270 vítimas da tragédia, duas pessoas que trabalhavam para a Vale seguem desaparecidas: um engenheiro e uma estagiária. Apenas 88 corpos foram encontrados completos, com cabeça, tronco e membros, enquanto os outros 179 tiveram seus corpos segmentados pela força da lama. As pequenas partes de corpos descobertas durante as buscas são armazenadas em caixas de zinco, mantidas em um caminhão frigorífico. Quando identificadas, essas partes são colocadas em caixas separadas com o nome das vítimas.
Este método foi desenvolvido especificamente para a tragédia de Brumadinho, atendendo às exigências dos familiares por uma forma de preservar os restos mortais pelo máximo de tempo possível, já que se previa que o material levaria anos para ter destinação final. Um legista contratado pela mineradora criou a metodologia, que tem permitido a maioria das identificações a partir de ossos.
Desafios na identificação e perfil das vítimas desaparecidas
Os últimos tecidos moles, como pele ou cabelo, foram encontrados pelas equipes de busca em setembro de 2022. Esses materiais perdem o DNA com maior facilidade, o que dificulta significativamente o trabalho da perícia. As duas vítimas que ainda não foram localizadas são:
- Tiago Tadeu Mendes da Silva: Com 34 anos, trabalhava como mecânico industrial na Vale há apenas 20 dias quando a barragem rompeu. Ele estava no refeitório da mina no momento do desastre e deixou dois filhos pequenos.
- Nathália de Oliveira Porto Araújo: Também estava no refeitório quando a barragem se rompeu. O GPS de seu smartphone apontava para uma região na Cachoeira das Ostras, mas as buscas nessa área não tiveram sucesso.
A tragédia de Brumadinho, ocorrida em 25 de janeiro de 2019, continua a ecoar na memória coletiva, com famílias ainda aguardando respostas e justiça. O encerramento das buscas marca um capítulo sombrio, mas a operação segue em outras frentes governamentais para investigar as causas e responsabilidades do desastre.