Corpo de Bombeiros emite alerta urgente sobre perigos de nadar em rios durante período de cheias no Acre
Em meio à cheia histórica do Rio Acre, que atualmente se aproxima da marca de 15 metros, imagens que circulam nas redes sociais acenderam um sinal de alerta entre as autoridades. Os registros, feitos no último domingo (18), mostram crianças e adolescentes se arriscando ao tomarem banho sobre os balseiros acumulados nas águas turbulentas do manancial.
Cenas de risco em meio à correnteza
Nas cenas capturadas, sete pessoas aparecem se divertindo em cima de materiais flutuantes, que incluem galhos e restos de vegetação arrastados pela força da correnteza. Em vários momentos, os jovens chegam a mergulhar nas águas, ignorando completamente os perigos iminentes. O coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Cláudio Falcão, já solicitou a presença da Marinha no local, especialmente devido à circulação de motos aquáticas em alta velocidade durante este período crítico.
A Marinha confirmou ter recebido o pedido e informou que estuda a viabilidade de uma operação de fiscalização na região. Enquanto isso, as imagens servem como um alerta contundente para mais um perigo trazido pela elevação dos rios e igarapés durante a temporada de chuvas na Amazônia.
Riscos múltiplos e recomendações oficiais
Além do óbvio risco de afogamento, existem outras ameaças graves associadas a essas atividades. O contato com águas contaminadas pode provocar diversas doenças infecciosas, enquanto os balseiros escondidos sob a superfície representam um perigo adicional para banhistas desavisados.
"É um período que coincide com a elevação dos igarapés e dos rios, e também com as férias escolares", destacou o capitão Ely Souza, do Corpo de Bombeiros. "Recomendamos que se evite as águas nesse período, quando temos maior turbulência e correnteza".
O militar explicou ainda que é comum a queda de árvores durante as cheias, que podem vir tanto pela superfície quanto pelas partes mais profundas das águas, criando obstáculos perigosos e imprevisíveis.
Histórias trágicas e alertas emocionais
Quem conhece de perto as consequências devastadoras dessas aventuras é Roseane da Silva Matos, mãe do jovem Roger da Silva Matos, de 18 anos, que desapareceu no Rio Acre em março do ano passado ao mergulhar com amigos durante o período de cheia.
"Está muito recente a perda do meu filho, e quando vejo essas crianças tomando banho por lazer no rio, é muito doloroso", disse ela, com voz emocionada. "Estar nessas águas é perigoso demais".
Após dez meses, o corpo do jovem ainda não foi localizado. As buscas foram encerradas pelos bombeiros após seis dias de operação intensiva, deixando a família em um limbo de dor e incerteza.
Orientações de segurança e números de emergência
As autoridades reforçam que cheias de rios e igarapés não são momentos apropriados para lazer aquático. O número de emergência 193 do Corpo de Bombeiros permanece disponível 24 horas por dia, mas as recomendações vão além do simples acionamento dos serviços de resgate.
Em caso de testemunhar possíveis ocorrências, o capitão Souza alerta: "Evite fazer um salvamento de forma direta. Utilize uma boia ou corda para auxiliar a vítima e acione imediatamente o Corpo de Bombeiros, que está sempre de prontidão. Temos uma guarnição náutica especializada para esses atendimentos".
O recado final das autoridades é claro e direto: a combinação entre férias escolares e período de cheias exige redobrada atenção e responsabilidade por parte de todos, especialmente dos pais e responsáveis por crianças e adolescentes.