Irã impõe controle no Estreito de Ormuz com taxas e triagem; petroleiro relata travessia tensa
Irã controla Estreito de Ormuz com taxas e triagem rigorosa

O petroleiro Agios Fanourios I, de bandeira maltesa, conseguiu atravessar o Estreito de Ormuz após um acordo direto entre o Irã e o Iraque, mas enfrentou uma travessia repleta de inspeções e atrasos. A embarcação de 330 metros, carregada com petróleo bruto iraquiano com destino ao Vietnã, estava parada em Dubai desde o fim de abril. Em 10 de maio, partiu rumo ao estreito após negociações supervisionadas pelo primeiro-ministro iraquiano.

Mecanismo de controle iraniano

O Irã implementou um sistema complexo para liberar embarcações no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O controle envolve acordos entre governos, triagem rigorosa pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e, em alguns casos, cobranças por passagem segura. Segundo fontes do setor marítimo, algumas embarcações pagam mais de US$ 150 mil para atravessar, embora a Eastern Mediterranean Shipping, gestora do Agios Fanourios I, negue qualquer pagamento.

Triagem e inspeções

A IRGC analisa um "documento de afiliação" para verificar vínculos com EUA ou Israel. O processo leva cerca de uma semana e pode incluir inspeções físicas. No caso do Agios Fanourios I, o governo iraquiano enviou manifesto de carga e dados da tripulação antes da passagem. Ao se aproximar da Ilha de Ormuz, o navio foi parado por lanchas rápidas da IRGC sob suspeita de contrabando, mas logo liberado.

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Impacto global e sanções

O controle iraniano sobre o estreito gerou a pior crise energética da história, segundo a Agência Internacional de Energia. A Marinha dos EUA impôs um bloqueio a navios iranianos, e o Departamento do Tesouro alertou sobre riscos de sanções para quem negociar com o Irã. Cerca de 1.500 embarcações ficaram presas no Golfo, e menos de 60 atravessaram o estreito entre 18 de abril e 6 de maio, contra 120 a 140 por dia antes da guerra.

Acordos diplomáticos

Países como Índia e Vietnã negociaram diretamente com Teerã. A Índia, que importa 90% do petróleo por Ormuz, utiliza sua embaixada para intermediar contatos. Navios indianos recebem rotas específicas e são escoltados pela Marinha iraniana. Até 14 de maio, 13 embarcações indianas atravessaram o estreito.

Travessia do Agios Fanourios I

Após a autorização iraniana, o petroleiro navegou rente à costa, passando por postos militares em Abu Musa, Grande Tunb e Larak. O transponder foi desligado periodicamente. A travessia, que normalmente leva cinco horas, durou dois dias. Após deixar águas iranianas, o navio foi interceptado pelo bloqueio dos EUA e ficou seis dias à deriva até ser liberado em 16 de maio, seguindo para o Vietnã com 2 milhões de barris de petróleo.

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