Os rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) da Colômbia anunciaram, nesta quarta-feira (20), que realizarão um cessar-fogo unilateral de três dias para o primeiro turno da eleição presidencial. A trégua visa respeitar o direito de voto dos colombianos, afirmou o ELN em comunicado, já que os eleitores irão às urnas em 31 de maio para eleger o próximo presidente, que governará de 2026 a 2030.
Contexto de violência e outras tréguas
O anúncio ocorre cinco dias depois de a dissidência da extinta guerrilha das Farc, comandada pelo guerrilheiro mais procurado da Colômbia, Iván Mordisco, ter declarado uma trégua para as eleições. Mordisco é comparado pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, a Pablo Escobar, um dos traficantes mais notórios do mundo. Os rebeldes que rejeitaram o acordo de paz de 2016 estão entre os principais responsáveis pela deterioração da segurança no país, que enfrenta sua pior crise de violência em uma década às vésperas das eleições para suceder o presidente esquerdista Gustavo Petro.
O chamado Estado-Maior Central, liderado pelo comandante guerrilheiro Iván Mordisco, anunciou, em comunicado, a "suspensão de operações militares ofensivas" de 20 de maio a 10 de junho. A trégua busca proporcionar "condições de tranquilidade suficientes para que o povo colombiano vá maciçamente às urnas".
Fracasso das negociações de paz
Petro tentou, sem sucesso, negociar com Mordisco como parte de sua política de "paz total", com a qual pretendia obter o desarmamento de todos os grupos armados do país. Em abril, homens de Mordisco assassinaram 21 pessoas em um atentado com explosivos em uma rodovia no sudoeste do país, o pior ataque contra civis em duas décadas. Após o desarmamento das Farc, que se tornou partido político, Petro mantém negociações atualmente apenas com o poderoso cartel do narcotráfico Clã do Golfo e algumas guerrilhas menores.
Cenário eleitoral e violência contra candidatos
Em 31 de maio, os principais candidatos são o senador esquerdista Iván Cepeda, que propõe dar continuidade aos esforços de negociação, e outros que prometem linha-dura contra o crime, como o advogado milionário Abelardo de la Espriella e a senadora opositora Paloma Valencia. A violência também afeta os candidatos. Em agosto passado, o senador Miguel Uribe, que pretendia ser o candidato presidencial do principal partido da oposição, morreu vítima de um atentado a tiros em Bogotá. De la Espriella denunciou ameaças de morte e faz seus discursos de campanha protegido por uma estrutura de vidro à prova de balas. Paloma Valencia também revelou mensagens intimidatórias contra ela, o que levou o governo a reforçar sua segurança recentemente. Petro afirma haver informações sobre um plano de atentado contra seu aliado Cepeda, favorito nas pesquisas de intenção de voto.



