O uso de tecnologia no combate ao crime avança pelo Brasil, com resultados expressivos. Câmeras de reconhecimento facial, drones e inteligência artificial são algumas das ferramentas que estão transformando a segurança pública no país. De acordo com levantamento inédito, 116.450 câmeras foram responsáveis pela captura de 11.037 foragidos da Justiça nos últimos dois anos.
Expansão das câmeras de reconhecimento facial
Todos os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal já utilizam ou estão implementando programas com câmeras equipadas com inteligência artificial. Além disso, 508 municípios também adotaram a ferramenta em pontos críticos. A tecnologia permite identificar pessoas catalogadas no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, emitindo alertas para as centrais de monitoramento.
Casos de sucesso
No show da cantora Shakira em Copacabana, no Rio de Janeiro, um homem procurado por lesão corporal foi identificado pelas câmeras enquanto esperava na fila do banheiro. Na Bahia, o empresário Sérgio Nahas, condenado pelo assassinato da esposa, foi preso após ser reconhecido em uma praia turística. Em São Paulo, o programa Smart Sampa resultou na prisão de 3.113 foragidos.
Outras tecnologias em uso
Além do reconhecimento facial, estados como Goiás e Espírito Santo utilizam análise preditiva para antecipar crimes. No Rio Grande do Sul, o monitoramento de agressores e vítimas de feminicídio é feito com tornozeleiras eletrônicas e celulares. Balneário Camboriú, em Santa Catarina, emprega drones com IA e óculos inteligentes. O Paraná usa análise de DNA para resolver casos de violência sexual.
Desafios e críticas
Apesar dos avanços, há desafios. Estudos indicam maior margem de erro na identificação de negros e mulheres, devido a algoritmos treinados principalmente com homens brancos. Além disso, a precariedade dos bancos de dados pode gerar falsos positivos, como no caso do gestor de RH Ailton Alves de Sousa, que foi detido quatro vezes por engano.
Regulação e futuro
O debate sobre a regulação da IA no Congresso busca estabelecer limites para o uso indiscriminado da tecnologia. Especialistas apontam que as câmeras precisam estar integradas a uma polícia eficiente para serem eficazes. A central de inteligência Civitas, no Rio, já ajudou na investigação de quase 5.000 casos.
Com investimentos de 11 bilhões de reais no Programa Brasil Contra o Crime Organizado, o governo espera ampliar o uso de tecnologia, incluindo softwares para rastrear fluxos financeiros ilícitos e kits com drones e bloqueadores de celular. A expectativa é que a inovação ajude a reduzir a violência e a sensação de insegurança da população.



