Restaurante de 'Seu Tião' emociona ao ajudar estudantes na BR-153
Restaurante de 'Seu Tião' emociona ao ajudar estudantes

Uma publicação nas redes sociais sobre um simples restaurante às margens da BR-153, em Guaraí, no norte do Tocantins, gerou uma onda de gratidão. O Restaurante JK, do empresário Sebastião Neto, de 65 anos, conhecido como 'Seu Tião', tornou-se um ponto de apoio fundamental para centenas de estudantes que passaram pela região.

Reconhecimento inesperado

A repercussão começou quando uma página de entretenimento local compartilhou uma foto do comércio com um texto. Nos comentários, ex-estudantes, hoje profissionais formados, relataram como a ajuda de Sebastião foi decisiva em suas trajetórias. Um internauta lembrou o apoio recebido em 2007: 'O que o Seu Tião me ajudou não está escrito. Eu almoçava lá todo dia e pagava no fim do mês. Nunca esqueci o quanto ele me ajudou em um momento em que eu precisava muito'.

Em entrevista, Sebastião disse que o reconhecimento é uma surpresa e se sente grato. 'Muito gratificante. A gente trabalha muito e ver as pessoas comentando assim... Fico muito feliz. É só gratidão a Deus por ter me dado saúde para trabalhar', afirmou o comerciante.

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História de trabalho e apoio

Sebastião está no comércio desde os 10 anos, quando vendia picolé e geladinho. Antes de se dedicar à cozinha, há 32 anos, foi garimpeiro. Ele comandou um restaurante por duas décadas em um posto de combustíveis e, há 11 anos, mudou-se para o ponto atual, próximo a uma faculdade.

A proximidade com o trajeto dos alunos para faculdades e universidades transformou seu restaurante em um ponto de apoio para jovens que viajavam de cidades como Colinas e Brasilândia. Sabendo das dificuldades financeiras, Sebastião adotou preços acessíveis. Há relatos de refeições vendidas pela metade do preço para acadêmicos e da prática do 'fiado'.

'Eu fazia a jantinha a um precinho acessível para eles, porque sei que estudante também é difícil, dinheiro é pouco. Tinha uns que tinham um dinheirinho, outros já não tinham. Aqueles que não tinham, a gente ficava com dó, porque vinham de longe. Aí eu dava um marmitex para eles', recordou Sebastião.

Filosofia de vida

Questionado sobre possíveis prejuízos com a prática de caridade, Sebastião foi direto: o retorno não é financeiro. Para ele, ajudar o próximo é uma filosofia de vida desde a infância. 'Ah, não penso nisso não. Penso o seguinte: se posso dar um marmitex para uma pessoa ou fazer um desconto, dou de coração mesmo. Chegar uma pessoa que você pode ajudar, isso aí a gente ganha dobrado. Deus dá dobrado para a gente, e isso sei desde menino', explicou.

Atualmente, Sebastião vê seus antigos 'clientes parceiros' formados e se surpreende com a consideração que expressam. 'Não imaginava que os meninos tinham essa consideração por mim. Sou daqui de Guaraí, mas às vezes vou lá em Colinas, vou lá na Pecuária, e sempre, onde vejo eles, eles chegam com o maior carinho. Hoje são doutores, advogados, médicos, todos formados.'

Ele segue no mesmo local, mantendo a estrutura limpa e o acolhimento de sempre. 'A gente vai melhorando as coisas, melhorando a estrutura, mantendo limpo, com a pintura feita, e segue desse mesmo jeito com todo mundo', concluiu.

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