Professora usa aluno fisioculturista como modelo em aula de anatomia na UFPE
Aluno fisioculturista vira modelo em aula de anatomia na UFPE

Uma aula prática de anatomia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, viralizou nas redes sociais depois que uma professora convidou um aluno fisioculturista para servir de modelo vivo. Em vez de utilizar apenas bonecos ou cadáveres, a docente Ana Cristina Falcão chamou o estudante Caio Lima, do terceiro período de medicina, para demonstrar na prática a musculatura dos membros superiores.

A atividade, direcionada a alunos do primeiro período, aconteceu na segunda-feira (18) e chamou a atenção pelo físico definido do jovem de 22 anos, que se apresenta como atleta natural. A aula, que rendeu risadas dentro e fora da sala, ajudou os estudantes a visualizarem estruturas musculares, inserções e movimentos estudados em teoria.

Professora destaca importância do modelo vivo

Ana Cristina Falcão é subchefe do Departamento de Anatomia e coordena o projeto de doação de corpos da UFPE. Segundo ela, o estudo com cadáveres é considerado o "padrão ouro" no aprendizado das estruturas corporais. Fisioterapeuta de formação, ela leciona para cursos de medicina, terapia ocupacional e fisioterapia. Como sua área de conhecimento é o sistema locomotor, ela lida frequentemente com ossos, articulações e músculos.

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Foi na academia, praticando musculação, que surgiu a ideia de convidar um bodybuilder para auxiliar na formação dos estudantes. Inicialmente, a intenção era chamar o personal trainer dela, mas isso não se concretizou. Posteriormente, ela conheceu Caio, que foi seu aluno e também é fisioculturista. "Eu perguntei se ele queria vir e disse que, se ele tivesse vergonha, não viesse, porque eu não queria expô-lo. Tinha que ser perto de algum campeonato, porque é quando eles ficam mais 'sequinhos' e dá para ver os músculos melhor. Nesse fim de semana ele competiu, e na segunda-feira foi para a aula", contou a professora.

Aula dividida em duas partes

A primeira parte da aula foi com cadáveres. Depois, a professora comunicou aos alunos que eles estudariam outro corpo, agora vivo. "Eu disse que viria uma pessoa para a gente estudar, pedi que eles tivessem respeito. No começo, Caio estava com vergonha, mas tirou a camisa e fui mostrando. Ele contraindo os músculos e mostrando as posturas. Uma aluna e uma professora filmaram", relatou Ana Cristina.

A docente planejava fazer um vídeo mais elaborado, mas Caio, nativo digital, foi mais rápido. "Ele postou um vídeo curtinho de manhã. De noite já tinha mais de 3 milhões de visualizações. Fui olhar de novo agora há pouco e já tinha mais de 5 milhões", afirmou.

Reações nas redes sociais

Na internet, algumas pessoas lamentaram não ter tido experiências semelhantes na faculdade. "Aí na minha vez foi um boneco 'véi' fedendo a mofo", disse uma pessoa. "Na minha aula de anatomia eu tive que ver um defunto, aff", afirmou outra. "Então é isso que o Enem pode me proporcionar?", brincou uma terceira.

Conexão com o cinema

O laboratório do Departamento de Anatomia, onde o vídeo foi filmado, já era famoso antes da viralização. Foi nele que foi gravada uma cena icônica do filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, em que aparece um tubarão com uma "perna cabeluda" na boca. A própria Ana Cristina Falcão aparece no filme como figurante. Segundo ela, as estruturas do Departamento de Anatomia e do de Antibióticos são as mais antigas da universidade e foram escolhidas por representarem a estética dos anos 1970, retratada no longa que concorreu a quatro categorias no Oscar.

"A equipe estava procurando locais que remetessem à década de 1970 e veio aqui. Mostrei todo o departamento e, logo depois, a diretora de elenco de figuração ligou para mim dizendo que Kleber queria creditar as pessoas da universidade. Ela pegou meu nome e o de outro professor. No filme, eu apareço ao lado de Wagner Moura numa cena que é uma espécie de reunião na universidade. Eu interpreto uma professora, como eu", contou.

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