Caos aéreo em São Paulo deixa passageiros em situação degradante
Passageiros que aguardavam voos no Aeroporto de Congonhas, localizado na Zona Sul de São Paulo, relataram na manhã desta sexta-feira, 10 de maio, uma madrugada de completo caos e humilhações. O problema teve origem em uma pane técnica no Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste, ocorrida na quinta-feira, 9 de maio, que paralisou as operações por aproximadamente uma hora em todos os aeroportos paulistas.
Mesmo após mais de vinte horas do incidente inicial, caracterizado por um princípio de fumaça no centro da Força Aérea Brasileira (FAB), os transtornos persistem. Os viajantes enfrentam filas intermináveis, atrasos significativos e dificuldades extremas para remarcar suas passagens e alcançar seus destinos finais.
Relatos de humilhação e condições subumanas
Entre as histórias mais marcantes está a da dona de casa Silvia Ignácio. Ela deveria embarcar para São José do Rio Preto, mas desde a noite de quinta-feira não conseguiu viajar em nenhum voo da companhia aérea Gol. "A gente chegou do Rio de Janeiro e o voo já veio atrasado mais de duas horas. E, quando a gente chegou em São Paulo, não tinha mais voo pra gente. Nós passamos a noite na calçada", desabafou.
Silvia foi ainda mais contundente ao descrever o tratamento recebido: "A Gol tratou a gente de um jeito que nem cachorro merecia. Foi humilhante, frustrante e decepcionante". A situação se agravou com a presença de sua família, incluindo crianças. "A gente dormiu na calçada, no chão gelado. Eu, meus dois filhos, minha nora e minhas duas netas", completou.
O desespero foi tamanho que a família precisou improvisar: "A gente passou 10 dias no Rio e tivemos que tirar toalha molhada da mala pra colocar pras crianças dormirem no chão. Uma situação humilhante e revoltante. Nunca passei por isso na minha vida", finalizou Silvia, emocionada.
Posicionamento das empresas e autoridades
Por meio de nota oficial, a Gol informou que a interrupção foi causada por "uma pane técnica nos sistemas de gerenciamento dos aeroportos de São Paulo, na manhã desta quinta-feira, algo totalmente alheio ao controle da Companhia". A empresa afirmou que sua operação para os aeroportos de Congonhas, Guarulhos e Viracopos ficou suspensa por cerca de uma hora e está sendo retomada parcialmente.
A companhia assegurou que suas equipes atuam para minimizar os impactos e que todos os passageiros afetados estão recebendo as tratativas previstas pela resolução 400 da ANAC. A Gol reforçou que a segurança continua sendo sua prioridade máxima.
Já a Força Aérea Brasileira, através do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), comunicou que a interrupção durou 36 minutos, das 9h30 às 10h06, "devido a um problema técnico operacional, na região de São Paulo". A FAB não detalhou a causa exata da falha, mas garantiu que a segurança de voo foi mantida e que o problema será apurado.
Impactos operacionais e medidas de contenção
Os reflexos do problema foram sentidos fortemente nesta sexta-feira. Os aeroportos de Congonhas e Guarulhos amanheceram com diversos voos cancelados:
- Aeroporto de Congonhas (até as 4h45): 5 partidas e 7 chegadas canceladas; 2 chegadas atrasadas.
- Aeroporto de Guarulhos (entre 4h e 7h): 4 chegadas canceladas.
Para tentar amenizar o caos, a operação do Aeroporto de Congonhas foi estendida até a meia-noite de quinta-feira, medida tomada pela concessionária Aena. Normalmente, a operação comercial funciona das 6h às 23h.
O diretor-presidente da ANAC, Tiago Chagas Faierstein, esclareceu que o Centro de Controle foi esvaziado devido à presença de fumaça fora do prédio operacional. "Não houve incêndio, não houve pane elétrica, nenhum sistema parou de funcionar. O que houve foi um princípio de fumaça fora do prédio", explicou. A evacuação foi preventiva, levando cerca de 30 minutos, até que se verificasse que a fumaça não adentraria o ambiente.
O Ministério de Portos e Aeroportos corroborou a informação, afirmando que um problema técnico no Controle de Aproximação (APP) na região de São Paulo levou à suspensão das autorizações de decolagem na área terminal por 35 minutos.
Enquanto as investigações sobre a origem exata da fumaça continuam, centenas de passageiros como Silvia e sua família seguem lidando com as consequências de um sistema aéreo que mostrou suas fragilidades, deixando um rastro de frustração e indignação nas calçadas de Congonhas.



