Cemaden alerta para possível El Niño muito forte entre 2026 e 2027 no Brasil
Cemaden alerta para El Niño muito forte entre 2026 e 2027

Uma nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) revela que modelos climáticos internacionais indicam a possibilidade de um El Niño forte ou muito forte entre 2026 e 2027. O documento foi encaminhado à Casa Civil e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mas os pesquisadores enfatizam que não se trata de uma previsão definitiva.

Cenário de aquecimento no Pacífico

De acordo com a nota, modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), da NOAA (agência americana) e do serviço meteorológico da Austrália convergem para um aquecimento das águas do Pacífico tropical. Algumas simulações sugerem que o evento pode se tornar o El Niño mais forte da história moderna, mas os próprios autores destacam a baixa confiabilidade dessas projeções a longo prazo.

Pedro Ivo Camarinha, diretor substituto do Cemaden e um dos signatários do documento, explica que as projeções com meses de antecedência não conseguem indicar eventos isolados, como tempestades específicas. Elas mostram tendências amplas, como regiões com maior probabilidade de chuva acima ou abaixo da média.

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O que caracteriza um Super El Niño?

Um Super El Niño é definido por anomalias de temperatura acima de 2°C na região Niño 3.4 do Oceano Pacífico. Projeções recentes do ECMWF chegaram a indicar valores próximos de 3°C, superando o limiar para eventos muito fortes. No entanto, os pesquisadores alertam para exageros em interpretações divulgadas, afirmando que notícias sobre secas severas ou chuvas catastróficas não são sustentadas por dados científicos confiáveis no momento.

Probabilidades e incertezas

Em abril, o Centro de Previsão Climática (CPC) dos EUA elevou para 82% a probabilidade de formação do El Niño no trimestre maio-julho de 2026, ante 61% no mês anterior. A chance de o fenômeno persistir até o trimestre dezembro-fevereiro (início de 2027) é de 96%. Apesar disso, o Pacífico equatorial ainda está em neutralidade, com o índice Niño-3.4 em +0,4°C na última semana.

Os pesquisadores do Cemaden destacam a chamada “barreira de previsibilidade” do sistema oceano-atmosfera, que reduz a confiabilidade de previsões iniciadas em maio. A NOAA ressalta que há incerteza substancial sobre a intensidade do pico do El Niño, e nenhuma categoria (fraco, moderado, forte ou muito forte) ultrapassa 37% de probabilidade.

Impactos potenciais no Brasil

Caso o cenário se confirme, o Brasil pode enfrentar impactos semelhantes aos do El Niño de 2023/2024. No Norte e Nordeste, há tendência de redução de chuvas, aumento de temperaturas e agravamento da seca. No Sul, maior propensão a chuvas intensas e persistentes, especialmente na primavera e verão. O Rio Grande do Sul apresenta o sinal mais robusto de aumento de risco hidrológico, com possibilidade de enchentes, inundações e deslizamentos na Serra Gaúcha, Planalto Meridional e região de Porto Alegre. Santa Catarina e Paraná também podem ter eventos extremos, com maior variabilidade regional.

A nota também associa um El Niño intenso ao aumento de ondas de calor, em contexto de aquecimento global. Os anos de 2023, 2024 e 2025 já registraram recordes de calor no país. A combinação de seca e temperaturas elevadas pode ampliar o risco de incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal.

Considerações finais

Os pesquisadores reforçam que a análise não é uma previsão determinística, mas deve orientar monitoramento e planejamento preventivo. “Cada El Niño monta um novo quebra-cabeça sobre o Brasil”, afirma Camarinha. O documento ressalta que, embora padrões históricos ajudem a identificar áreas mais propensas a extremos, nenhum evento se repete exatamente.

O El Niño é um aquecimento das águas do Pacífico equatorial que altera a circulação atmosférica, afetando chuvas e temperaturas globalmente. No Brasil, o Sul tende a ter mais chuva, enquanto Norte e Nordeste enfrentam secas. O fenômeno também contribui para o aumento da temperatura global, somando-se ao aquecimento global.

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Historicamente, os impactos no Brasil incluem aumento de chuvas no Sul, redução no Norte e Nordeste, irregularidade no Sudeste e Centro-Oeste, e maior frequência de ondas de calor. Especialistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças climáticas, e mesmo El Niños moderados podem ter efeitos mais fortes em um planeta mais quente.